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Campo Grande - MS, domingo, 18 de novembro de 2018

ARTIGO

Alfredo Pinto de Arruda: "A teimosia suspeita"

Ex-secretário de Saúde do Município e do Estado

1 AGO 2017Por 02h:00

Logo após a eleição, tive acesso ao governador eleito. Fui à sua casa levado por um amigo comum, curioso em saber o pensamento do novo governo sobre a condução da saúde. O assunto foi vazio e sem conteúdo. Tentei conceituar a saúde naquilo que acho fundamental, alicerçado nas participações que tive como secretário da área nas duas instâncias.

Saí de lá convicto de que o governo que se iniciava faria do mutirão a sua mensagem. Soube que perderíamos quatro anos na evolução política da saúde. Logo após a posse deram início ao circo, pior, algumas pessoas qualificadas deram apoio a estas ações. Escrevi dois artigos: um deles publicado pelo Correio do Estado, outro, um amigo postou no seu Blog.

Resolvi silenciar, a fim de que esta postura revelasse ao governador o meu respeito, acreditando na sua capacidade de gestão da coisa pública.

Há dois anos estou torcendo por novas ideias. Hoje, veio o anúncio de nova rodada do Mutirão, aí meu amigo, não dá para calar. Mutirão é, a meu ver, o atestado público da incompetência, do desprezo ao povo. Funciona como se botasse o povo num brete e fizesse a vacinação de aftosa. Jamais me submeterei a isso: condeno a má intenção deste procedimento. Não há como controlar o número de atendimentos, a qualidade, e mais grave: o custo.

A “Firma” apresenta a conta e o governo rapidamente paga. Transforma essa coisa em prioridade, e passa à frente de ações muito mais sérias na saúde.  A Firma vai embora para onde veio e “o malfeito” fica para o mal pago médico do posto resolver. Isso é um desrespeito. Nem Roma, que amava o circo, para distrair o povo, ousou tamanha afronta. Ainda tenho respeito pelo Reinaldo, porém, o seu governo é ridículo na área de saúde. Escolheu mal a sua equipe. Quero dizer que não falo em pessoas, falo em ideias.

As ideias da sua equipe são primitivas, não conseguem entender saúde como componente social. A saúde, senhor governador, é um instrumento de uma orquestra sinfônica bem coordenada, com harmonia de movimento e sonoridade saudáveis. Não conseguirá realizar uma política de saúde sendo estanque, isolada, como se fosse um regime feudal. A saúde é irmã gêmea da educação, da ação social, da segurança e do emprego.  No meu mundo, jamais desprezaria o Lazer.

A preocupação maior é a cobrança do Conselho Municipal da Saúde, vindo a público exigir prestação de conta, e mais, a intervenção do governo do estado num órgão essencialmente Municipal. Acho que o governador teria que ter olhos mais abertos no controle do recurso da Saúde. A corrupção nesta área significa dois crimes: O roubo do dinheiro e a omissão de socorro à saúde por falta desse recurso. Mande controlar a prestação de conta e a nota fiscal desse serviço denominado Mutirão. Há suspeitas e o povo sabe disso.

 

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