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Campo Grande - MS, sexta, 14 de dezembro de 2018

ARTIGO

Alana Regina Souza Mendes: "Ler com dedicação, escrever com qualidade"

Mestre em Letras pela UFMS

15 MAR 2018Por 02h:00

O desafio da primeira linha é só o começo de tudo. Diante do dever de escrever um texto, seja qual for a finalidade, são diversos os obstáculos que se colocam entre o(a) pretenso(a) escritor(a) e a folha de papel – ou a tela do computador.

No meio universitário, isso se intensifica. O universo acadêmico demanda uma série de produções textuais, desde resenhas, resumos, fichamentos, artigos, até o famoso Trabalho de Conclusão de Curso. Se, por um lado, não há escapatória (ainda bem, pois é preciso que a academia produza saberes científicos!), há maneiras de derrubar as barreiras que parecem (e se resumem à aparência mesmo) instransponíveis.

A pesquisadora Ana Paula Santana, em seu texto “Cultura escrita e medicalização no contexto da educação superior no Brasil” apresenta alguns dados interessantes do INAF – Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional: no contexto universitário, 62% dos alunos estão alfabetizados, de fato; 34% estão em um nível considerado básico e 4%, nas palavras da autora, encontram-se em nível rudimentar.

Quase metade dos(as) nossos(as) estudantes nas universidades brasileiras, portanto, não têm domínio pleno de escrita e de leitura. Aproveitando a constatação, a leitura pode ser apontada como o primeiro método para libertar o potencial de escrita. Ou seja, uma anda de mãos dadas com a outra. É fato que o hábito de ler aumenta as probabilidades de um melhor desempenho no ato de escrever.

Não é à toa que nossos neurônios conseguem se reciclar para novas aprendizagens e de processar informações sob variadas óticas. A atividade da leitura exige de nosso cérebro uma série de processos mentais, numa dinâmica que arquiteta a criatividade, a memória e (surpresa!) a comunicação.

A compreensão do que estamos lendo nos possibilita o desenvolvimento da competência de compreensão do que estamos lendo (é isso mesmo que você leu). A partir do desvendar dos signos ali colocados, o(a) leitor(a) é levado(a) a, inevitavelmente, pensar sobre o que está lendo. O exercício do pensamento por meio da leitura libera nossa capacidade de organizar ideias, atribuindo-lhes novos significados a cada nova experiência com a leitura.

Nas palavras do renomado linguista Joaquim Matoso Câmara Jr., em seu “Manual de expressão oral e escrita”: escrever é uma arte que parte “do hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do que outros com bom resultado escreveram”.

A primeira linha não surge, portanto, do nada. É preciso, no âmbito acadêmico, principalmente, que se intensifique o exercício constante da leitura e da atividade crítica, como meios de, além de elevar o nível das discussões intelectuais travadas no texto, auxiliar no desenvolvimento de uma correta grafia (problema, infelizmente, muito frequente no contexto da universidade).

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