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Campo Grande - MS, segunda, 15 de outubro de 2018

OPINIÃO

Acelino Carvalho: "O Dia da Comunidade Nordestina em MS"

Advogado

13 JUN 2018Por 01h:00

No início da década de 1990, um pequeno grupo de estudantes universitários, percebendo a quase total ausência de manifestações da cultura nordestina na cidade de Dourados e região, passou a investigar, em caráter informal, as razões desse fenômeno. A partir de conversas com antigos moradores da cidade, nordestinos, descendentes de nordestinos, sul-mato-grossenses natos ou mesmo pessoas provenientes de outros estados da Federação, constatou-se que a região fora povoada basicamente por nordestinos, em virtude da criação, na década de 1940, pelo Presidente Getúlio Vargas, da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (Cand).

Consta de depoimentos que, naquele período, por determinação do presidente da República, um ônibus batizado de Asa Branca recolhia, nas regiões oeste de São Paulo e norte do Paraná, famílias de nordestinos que não estavam encaminhadas e as trazia para Dourados, com a finalidade de povoar a região e aumentar a produção de alimentos. O governo também trazia famílias diretamente do Nordeste e distribuía a todas elas uma gleba de terra e alguns animais para “começarem a vida”. Como consequência, durante muito tempo, eram comuns manifestações da cultura nordestina na região, com destaque para a culinária, a música, as festas típicas, as danças, etc.

Com o passar do tempo e a vinda em grande quantidade de pessoas de regiões economicamente mais desenvolvidas, ditas manifestações praticamente desapareceram. Foi a partir da compreensão desse processo histórico que se percebeu a necessidade e, em fevereiro de 1994, um grupo de vinte e duas pessoas, nordestinas e descendentes, com amplo apoio da comunidade local, especialmente dos meios de comunicação, fundou o Centro de Tradições Nordestinas Asa Branca (CTN), tendo como objetivos institucionais: “Fomentar o conhecimento, a prática e a difusão da cultura nordestina; promover a integração social e cultural dos nordestinos na região da Grande Dourados; promover a fraternidade entre todos os povos e culturas da região”.

Ditos objetivos vêm sendo atingidos principalmente com a realização pela entidade da Festsol – Festa da Carne de Sol, evento que, realizado a dezessete anos de forma ininterrupta, se tornou tradicional, já fazendo parte do Calendário Oficial de eventos tanto do município de Dourados quanto do Estado de Mato Grosso do Sul. O CTN também recebeu o título de Entidade de Utilidade Pública, conferido pela Câmara Municipal de Dourados, e já é objeto de estudos acadêmicos no Curso de Mestrado em História da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). 

Nesse mesmo período, foi fundado o CTN da cidade de Coxim, que também organiza anualmente um grande evento. De igual modo, o CTN de Anastácio, que também realiza anualmente a já tradicional Festa da Farinha. Movimentos nesse sentido vêm ocorrendo também em outras cidades do Estado, como é o caso de Nova Andradina, Rio Brilhante, Sidrolândia, Campo Grande, etc. 

Para coroar todo esse processo, a Assembleia Legislativa aprovou recentemente, por unanimidade, projeto de lei de autoria do deputado Amarildo Cruz, instituindo o dia 13 de junho como o Dia da Comunidade Nordestina no Estado de Mato Grosso do Sul. Também por iniciativa do mesmo parlamentar, foi instituída a Comenda Asa Branca, para homenagear nordestinos e nordestinas que vivem no Estado, cuja primeira sessão solene com esta finalidade ocorreu na segunda-feira (11), uma belíssima festa marcada por fortes manifestações culturais e muita emoção.

Essa postura do Parlamento estadual significa o reconhecimento, por parte da sociedade sul-mato-grossense, dos nordestinos e das nordestinas como cidadãos e cidadãs iguais em dignidade e direitos, merecedores, portanto, de igual consideração. Significa também o reconhecimento e valorização da nossa cultura e da nossa importância para o desenvolvimento social, econômico e cultural do nosso Estado. Num momento em que afloram no nosso país preconceitos de toda ordem, inclusive contra nordestinos, Mato Grosso do Sul nos acolhe, nos reconhece e nos valoriza. 

O nosso sentimento é, pois, de profunda gratidão a toda comunidade na pessoa do deputado Amarildo Cruz e dos demais deputados estaduais; nossa gratidão também aos servidores pela acolhida calorosa na Assembleia Legislativa para a primeira sessão de homenagens. Aos nordestinos, nordestinas e descendentes parabéns pelo nosso dia; aos simpatizantes da nossa cultura, nosso carinho de sempre. 
Salve o Nordeste! Salve Mato Grosso do Sul!   

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