Artigos e Opinião

ARTIGO

''70 anos do legado de nossos Pracinhas"

Luiz Eduardo Silva Parreira - Advogado e historiador - http://polemologia.blogspot.com

Redação

19/05/2015 - 00h00
Continue lendo...

Em 8 de maio de 1945, o Velho Continente, acostumado, há quase seis anos, somente a ouvir tiros e explosões, anoitece ao som dos sinos festivos e orações em ação de graças.  Na tarde daquela terça-feira, fora anunciado o cessar-fogo no Teatro de Operações Europeu: era o fim da Segunda Guerra Mundial, naquela parte do mundo. O Japão só viria a render-se em setembro de 1945.

Por ser um celeiro de histórias, Hollywood não perdeu tempo. Desde os anos de guerra (1939-1945), lançou filme após filme, divulgando as campanhas (reais ou fictícias) de seus Soldados e de Soldados aliados, com a presença dos mais famosos astros dos respectivos períodos.

Passados 70 anos,  ainda é assim!  “Invencível”, de Angelina Jolie; “Corações de Ferro”, com Brad Pitt e até mesmo o fantasioso “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino, são alguns exemplos.

Ainda não muito longe se tem: “O Resgate do Soldado Ryan”, com Tom Hanks, Matt Damon, Vin Diesel e direção de Steven Spielberg; “A Conquista da Honra”; e, “Cartas de Iwojima“, de Clint Eastwood ... a lista quase não tem fim, década após década.

O  que poucos se recordam é que brasileiros lutaram na Segunda Guerra Mundial.  E o que menos pessoas ainda sabem é que há  “histórias reais” desses “Pracinhas” que dão um excelente roteiro, belas passagens, tais como: a entrada das forças do Exército Brasileiro em Alessandria, Itália. A cada tropa aliada que entrava, a população saudava os soldados com palmas e vivas. Mas ao entrar a tropa brasileira, que havia libertado a cidade, a população se silencia e a recebe os soldados brasileiros, de joelhos; a homenagem deixada pela tropa alemã a três Soldados brasileiros que avançaram para dentro das linhas inimigas. Os três causaram tanto estrago, que depois de mortos, o inimigo deixou uma placa junto às sepulturas deles: “Drei Brasilianische Helden” , isto é, “Três Heróis Brasileiros”! No pátio do 20º Regimento de Cavalaria Blindada, em Campo Grande-MS, e na entrada do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, de São João Del Rei-MG, existem réplicas dos túmulos: um fuzil fincado no chão com um capacete sobre ele.  Os três heróis eram do Regimento de São João del-Rei. Morreram na mais sangrenta batalha da FEB: a tomada de Montese!  Eis os nomes dos três heróis: Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Rodrigues e Geraldo Baeta. Recentemente, o grupo de rock sueco Sabaton compôs uma música em homenagem aos “Três Heróis Brasileiros” (https://www.youtube.com/watch?v=1M7sUCElJK0).Pena que nenhuma delas foi aproveitada no filme Estada 47.

A Força Aérea Brasileira, com o seu grupo de caça – o Senta a Pua! – cumpriu mais missões nos céus da Itália do que qualquer outra Unidade aérea aliada. Seus pilotos voaram em média 60 missões de combate e foram responsáveis por inúmeros feitos. Tanto que é uma das três unidades aéreas não norte-americana que receberam a Presidential Unit Citatio!   A Marinha de Guerra do Brasil protegeu os comboios aliados que tinham a costa brasileira como parte de sua rota e eram ameaçados constantemente pelos submarinos nazifascistas. Para auxiliar nessa missão, a Marinha deslocou o Monitor Parnaíba, fundeado em Ladário-MS (ainda  hoje!), para ir até Salvador participar das escoltas. Só as viagens de ida e volta (passando pelo rio Paraguai, estuário do Prata e subindo e descendo a costa brasileira) de um navio construído para navegar em águas pluviais, para combater no mar, já  dão um filme!

No último dia 21 de fevereiro, comemorou-se a conquista de Monte Castelo, uma das batalhas mais importantes que a Força Expedicionária Brasileira (FEB) participou. Acompanhando o avanço brasileiro, do seu posto de observação, o comandante da FEB, General  Mascarenhas de Moraes (que comandou a 9ª Região Militar,  Campo Grande-MS, de agosto de 1937 a maio de 1941), ao ver um trator abrindo caminho numa estrada, debaixo de intenso fogo da artilharia alemã, exclama: “ esses americanos são incríveis!”.  Imediatamente, o Comandante do 9º Batalhão de Engenharia de Combate, de Aquidauana-MS, Coronel José Machado Lopes, responde: “Não são os americanos! É a sua Engenharia, meu General!”. Eram os guris de Aquidauana dando trabalho para os alemães!  Alguns desses aquidauanenses eram índios!

Mas a saga de nossos Pracinhas teve um final à la “A paixão de Cristo”, de Mel Gibson.  Jesus entrou  em Jerusalém, no Domingo de Ramos, saudado pelo povo, e uma semana depois foi crucificado por escolha desse mesmo povo.  No caso dos “Pracinhas”, a sociedade clamou para os jovens brasileiros cruzarem o Atlântico, levando consigo  angústia, saudade e o extraordinário senso do dever de lutarem pela liberdade. Eles foram!  Ao voltarem de lá com os louros da vitória; alguns mortos e feridos, ela os recebeu e os tratou durante esses 70 anos, com esquecimento, incompreensão e descaso. Até museus da FEB são fechados, como que numa tentativa de destruir-lhes a memória material. Memória que os italianos - que foram libertados pela FEB - preservam até hoje, como se pode ver numa cerimônia que ocorreu este ano, no qual crianças italianas cantam a Canção do Expedicionário Brasileiro, em Língua Portuguesa (https://www.facebook.com/renata.piazzon/videos/10155490474690554/)!

Mas valeu a pena!  Assim como a Páscoa do Senhor salvou a humanidade, a ação de nossos Pracinhas ensina para a juventude hodierna que lutar pela liberdade custa caro, muito caro, mas deve ser feito: é o bom combate! Esse é o maior exemplo que nossos pracinhas nos legaram. Cabe a nós agora, preservar.

Editorial

Pedágio caro exige contrapartida

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo

27/06/2026 07h15

Continue Lendo...

Chegou o momento de a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia, demonstrar que é capaz de oferecer aos usuários da BR-163 um serviço compatível com o valor que cobra.

A recente autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para um reajuste superior a 40% nas tarifas de pedágio aumenta a responsabilidade da concessionária perante quem utiliza diariamente a principal rodovia de Mato Grosso do Sul.

É natural que contratos de concessão prevejam atualizações tarifárias. O que não é razoável é que aumentos tão expressivos ocorram sem que os usuários percebam melhorias igualmente expressivas na qualidade da infraestrutura. Quem percorre a BR-163 ainda encontra problemas que deveriam ter sido solucionados há muito tempo.

Em diferentes trechos da rodovia, as faixas de sinalização horizontal apresentam desgaste visível e baixa refletividade, dificultando a condução noturna e em períodos de chuva.

Também há escassez de sinalizadores em alguns pontos e, mais preocupante, trechos em que remendos mal-executados comprometem o conforto e a segurança da viagem.

Em determinadas áreas, os reparos parecem mais buracos do que soluções para os buracos que deveriam corrigir.

É verdade que existem obras em andamento. Alguns segmentos no norte do Estado e nas proximidades de Campo Grande recebem intervenções importantes, incluindo duplicações.

São investimentos necessários e aguardados há anos. No entanto, eles não podem servir de justificativa para ignorar problemas básicos de conservação e segurança ao longo de centenas de quilômetros da rodovia.

O usuário não avalia uma concessão apenas pelas promessas futuras. Ele a avalia pela experiência diária. E essa experiência ainda está longe de justificar tarifas cada vez mais elevadas.

Afinal, não faz sentido pagar um dos pedágios mais caros da região para trafegar em uma rodovia que, em parte considerável de sua extensão, sequer oferece acostamento adequado aos motoristas.

A cobrança de pedágio pressupõe uma relação de equilíbrio. O usuário paga para receber em troca segurança, conforto, fluidez e infraestrutura de qualidade.

Quando essa contrapartida não é percebida, surge a sensação legítima de que a conta está sendo paga apenas por um lado.

Mato Grosso do Sul depende da BR-163 para o transporte de pessoas e mercadorias. Trata-se de uma rodovia estratégica para a economia estadual e nacional.

Por isso, sua concessão precisa ser sinônimo de eficiência e qualidade, e não de insatisfação crescente entre os usuários.

Com um pedágio ainda mais caro, a Motiva Pantanal tem a obrigação de melhorar – e muito – os serviços prestados.

Mais do que obras pontuais, é preciso garantir pavimento de qualidade, sinalização adequada, manutenção permanente e condições compatíveis com o que é cobrado.

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo.

Hoje, infelizmente, o valor cobrado nas praças de pedágio está longe de transmitir essa sensação.

Assine o Correio do Estado

Artigo

Etarismo: uma forma silenciosa de violência naturalizada

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo

26/06/2026 07h45

Continue Lendo...

No mês do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, é comum associarmos o tema a situações explícitas de negligência, abuso ou abandono.

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo.

Dentro das empresas, ele se manifesta de maneira sutil. Está nas oportunidades negadas sem explicação, na preferência automática por perfis mais jovens, na desvalorização da experiência e no rótulo de obsolescência atribuído a profissionais mais maduros. Não grita, não escandaliza, mas exclui, limita e desumaniza.

Ser consciente no palco da vida e do trabalho é também um ato ético. Porque toda escolha comunica valores.

Quando líderes ignoram o etarismo, quando empresas não criam espaço para diferentes gerações coexistirem de forma respeitosa, elas estão, na prática, performando um papel de indiferença. E, no palco social, a omissão também é uma forma de violência.

A Inteligência Cênica nos convida a olhar para essas dinâmicas invisíveis. Ela nos lembra que toda organização é uma espécie de encenação coletiva e que a inclusão verdadeira começa quando todos têm o direito de estar em cena, sem precisar esconder partes de si para serem aceitos.

Isso inclui, necessariamente, a valorização da experiência, da trajetória e do repertório que só o tempo constrói.

O etarismo não é apenas uma falha de diversidade. É uma falha de percepção. Revela um ambiente que privilegia velocidade em detrimento de profundidade, novidade em detrimento de consistência, aparência em detrimento de conteúdo.

E isso não empobrece apenas quem é excluído, pois empobrece a própria organização.

Combater o etarismo exige mais do que políticas formais. Exige uma reeducação emocional e cultural. Exige líderes capazes de pausar antes de reproduzir vieses automáticos, de substituir julgamento por escuta e de transformar a diferença em ativo e não em obstáculo.

O futuro do trabalho não será sustentável se não for intergeracional. Ambientes saudáveis são aqueles onde experiências se encontram, onde saberes se complementam e onde ninguém precisa disputar legitimidade por idade.

Nesse cenário, o papel do líder é claro: ser guardião de uma cultura em que todos tenham espaço para contribuir e existir com dignidade.

A Inteligência Cênica nos lembra que cada profissional tem direito a ser protagonista da própria história. E que o papel mais nobre que podemos desempenhar, nas empresas e na sociedade, é garantir que ninguém seja empurrado para fora de cena por causa de sua idade.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).