Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

Virada em 2º turno é raridade

8 OUT 2010Por 04h:20

BRASÍLIA

São raríssimos os casos em que um candidato vai para o segundo turno de uma eleição com minoria de votos e acaba ganhando a disputa. Até agora, esse fato nunca foi registrado em eleições presidenciais no Brasil. Na disputa pelo Planalto, este ano, Dilma Rousseff (PT) terminou o primeiro turno com 46,9%. José Serra (PSDB) teve 32,6%. A diferença entre ambos foi de 14,3 pontos percentuais. O sistema de segundo turno começou a ser usado no País em 1990.
Em eleições presidenciais, já houve um caso em que a diferença foi menor do que a atual entre os dois concorrentes no segundo turno: em 2006, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou somente 7 pontos percentuais à frente de Geraldo Alckmin (PSDB). Mesmo assim, o petista acabou vencendo. Mas agora, apesar da diferença ser maior, o tucano Serra não disputa com Lula, que quando Alckmin o enfrentou, o petista lutava pela reeleição.
A inversão de posição entre candidatos existe na história dos segundos turnos. Mas é sempre um acontecimento fora do padrão e mais fácil de acontecer quando os concorrentes terminam bem mais próximos no primeiro turno.

Governadores
Nas 70 eleições de governadores nas quais houve segundo turno até hoje, apenas em 20 (28,6%) ocorreram viradas. Ou seja, só em 3 de cada 10 segundos turnos o candidato que terminou em inferioridade de votos o primeiro turno acabou depois passando a liderar e venceu o pleito.
Analisados os cenários nos Estados, é possível encontrar só um caso de virada no qual a diferença entre os dois concorrentes era maior do que os 14,3 pontos que separam Dilma e Serra.
Esse cenário inusitado teve como palco a disputa pelo governo de Minas Gerais, em 1994. Naquela eleição, Hélio Costa (PMDB) terminou o primeiro turno com 48,3% dos votos. O outro candidato era Eduardo Azeredo (PSDB), com meros 27,2%. Quando os votos foram contados no segundo turno, o peemedebista obteve 41,3% contra 58,6% do tucano.
Neste ano, haverá dez segundos turnos: para presidente (será a quarta vez na história), em oito Estados e no Distrito Federal.

Leia Também