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Campo Grande - MS, domingo, 21 de outubro de 2018

Vida de inseto

2 AGO 2010Por 06h:50
Mauro Trindade, TV Press

 É incrível como é preciso ser muito bom para fazer algo muito ruim. Programas de domingo, por exemplo. Há cerca de meio século eles transformaram os fins de semana na tevê em uma espécie de filme de ficção-científica de horror, no qual telespectadores são abduzidos com piadas antigas e pegadinhas sem graça em cenários de outro mundo.
Mas é inegável o talento de profissionais como Fausto Silva, Gugu Liberato e Silvio Santos. São capazes de improvisar e interagir com a plateia de maneira brilhante. Marco Luque é um promissor novato nesse mundo, que conta também com Eliana, Rodrigo Faro e Ana Hickmann, a maior de todas – um metro e 86!
“O Formigueiro”, sob o comando de Luque, estreou domingo passado na Band e segue à risca o modelo internacional sacado do espanhol “El Hormiguero”. Mesmo cenário, mesma introdução – uma “escalada” do que vai ser apresentado durante o programa –, uma entrevista e dois fantoches em forma de formiga, Tana e Jura, sempre com comentários engraçadinhos.
A estreia foi desastrosa: três pontos na média, com pico de 4. Uma audiência próxima à conquistada por briga de casal, promoção em supermercado e camelô de DVD pirata. O problema parece menos do carismático humorista-apresentador e mais do formato. “O Formigueiro” é um programa com bonequinhos animados, Rita, a rata vidente, cientistas malucos em um quadro didático – que o “Tudo é possível”, entre outros, já apresentou – e uma entrevista descontraída com alguma celebridade.
De certa maneira, “O Formigueiro” é uma produção para a família cheia de quadros infantis, à imagem e semelhança do original espanhol, criado como um semanal pelo diretor e apresentador Pablo Motos e que, com o sucesso, tornou-se diário em 2007. “El Hormiguero” nasceu no rádio e era transmitido nas manhãs, quando os pais levavam seus filhos à escola e ouviam com eles piadas leves, adivinhações e outras brincadeiras.
Mas nem toda a emigração dá certo. Marco Luque e suas pequenas formigas brigam com cachorros grandes nas tardes de domingo, mesmo que o regime de Faustão lhe tenha dado uma aparência um tanto debilitada. É difícil dizer se o programa terá sobrevida, até porque as audiências da Band são todas baixas. Sequer suas estrelas, o “Brasil Urgente” e o “CQC”, costumam ter médias de dois dígitos no ibope. Mas não parece desta vez que o domingo vai ter um programa – um pouquinho – diferente.
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