terça, 17 de julho de 2018

OPERAÇÃO URAGANO

Vice preso pode ter usado propina para pagar advogado

27 SET 2010Por 07h:48

Antonio Viegas, de Dourados

O vice-prefeito de Dourados, Carlos Assis Bernardes (PR), o Carlinhos Cantor, que ainda está preso na penitenciária Harry Amorim Costa (Pahc) por conta da “Operação Uragano”, estaria usando o dinheiro de propina das empreiteiras para pagar seu advogado de defesa no processo a que responde por conta das investigações da “Operação Brothers”. Cantor foi um dos presos nas operações “Brothers e Owari”, desencadeadas no ano passado pela Polícia Federal, quando foi desarticulado um dos maiores esquemas de corrupção, não só em Dourados como em outros municípios da região, sob o comando da Família Uemura.
Pelo que foi apurado na Operação Uragano, o vice-prefeito era um dos beneficiados das propinas de empreiteiras que tinham licitações facilitadas e serviços fraudados dentro da prefeitura de Dourados. Em gravações de áudio captadas pela Polícia Federal, o ex-secretário de Serviços Urbanos Claudio Marcelo Hall, o Marcelão, pede a Carlos Roberto Felipe, responsável pela empresa Financial em Dourados, um valor superior a R$ 20 mil, negociados anteriormente, para “ajudar” Cantor a pagar seu advogado.     
Marcelão, eleito vereador também pelo PR, se licenciou da Câmara para assumir a secretaria municipal, ocupando a vaga de Carlinhos Cantor, exonerado assim que foi preso como um dos implicados na “Operação Brothers”. A Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur), durante a campanha de Ari Artuzi (sem partido) para prefeito, teria sido negociada para o Partido da República e, por isso, Marcelo Hall foi chamado para ocupar a pasta. Marcelão é um dos envolvidos na Uragano e ainda está preso na Pahc, junto com o vice-prefeito, outros secretários municipais e vereadores.
Diante da solicitação de Marcelão, conforme gravação realizada no dia 22 de junho de 2010, ficou combinado com Carlos Felipe que a Financial repassaria os R$ 20 mil para Marcelo Hall e mais R$ 25 mil, “por fora”, para Carlinhos Cantor. Em outra gravação, no dia 24 de junho, o responsável pela empresa oferece mais R$ 15 mil para o secretário de Serviços Urbanos. Todos esses valores, com exceção do “por fora”, faziam parte de um pacote de “retorno” de R$ 470 mil para o esquema criminoso.
As investigações revelam que a Financial oferece à organização criminosa R$ 350 mil para que o contrato de serviço de coleta de lixo em Dourados fosse reajustado. Haveria, também, mais uma quantia como vantagem ilícita pela negociação de uma dívida de 2008, quando a administração do então prefeito Laerte Tetila (PT) deixou de pagar pelo lixo recolhido. Incluindo o reajuste e a dívida, ficou acertado que a prefeitura iria pagar R$ 1,370 milhão, dos quais R$ 470 mil retornaria para a organização.
A Polícia Federal apurou ainda várias outras irregularidades envolvendo a empresa Financial, com participação dos agentes públicos e empresários citados, além da secretária de Administração Tatiane Moreno, esposa de Alziro, que teria tentado burlar a regra de contratos emergenciais, em benefício da referida empresa. Tatiane também foi presa durante a Operação Uragano e denunciada pelo Ministério Público.

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