Terça, 20 de Fevereiro de 2018

música

Viagem pela música clássica

5 NOV 2010Por OSCAR ROCHA00h:10

Na quarta edição, o Encontro com a Música Clássica, que começa amanhã no Teatro Glauce Rocha e segue até quarta-feira, propõe viagens por diversos estilos, unindo desde canções populares, peças do período barroco até música folclórica. A intenção não é limitar as possibilidades sonoras, mas ampliá-las utilizando o formato das orquestras e arranjos sinfônicos como elementos de unidade. Isso poderá ser visto/ouvido desde o primeiro momento do evento, quando a Orquestra Sinfônica de Campo Grande disponibilizará a base instrumental para canções de Rodrigo Teixeira, Márcio de Camillo e Jerry Espíndola – atualmente com o Projeto Hermanos Irmãos – Filho dos Livres, Evelin Lechuga e Melisa Azevedo. “Será uma abertura com caráter bem popular. A orquestra fará os arranjos das músicas destes artistas”, explica um dos coordenadores do encontro, o músico Jardel Vinicius Tartari.

Para  ele, nos últimos anos a música de concerto teve ampliação de espaço na cidade, com o aparecimento de novas formações e talentos. O encontro é um momento para dar visibilidade a esses músicos. Outro aspecto importante do evento é abrir espaço para propostas vindas de outros pontos do Brasil e até do exterior. Grande parte dessas propostas foi conhecida pelos músicos locais a partir da participação nestes eventos fora de Mato Grosso do Sul.

É o caso do Quarteto Tau (São Paulo), que abrirá a noite do segundo dia do encontro. A formação tem a intenção de ampliar o repertório da música de câmara para violões. A base é a música brasileira, mas há espaço para criações de compositores latinos-americanos. Na primeira parte da noite, peças de Villa-Lobos,  Radamés Gnattali, Tom Jobim e Garoto. Na sequência, o Quaterto Toccata, juntamente com a Orquestra Sinfônica de Municipal de Campo Grande, executará uma peça de Vivaldi. Na parte final, o Quarteto Tau retorna e destacará “Concerto para quatro violões e orquestra de câmara”, do compositor argentino Eduardo Scalante. A peça foi criada especialmente para o grupo e o autor estará presente, fazendo a regência.

Atrações internacionais e premiação
No dia 8, mais uma atração presente por meio do intercâmbio efetuado  pelos músicos locais. Trata-se da Orquestra de San José de Chiquitos (Bolívia), com participação de 18 adolescentes. O contato com a formação aconteceu no começo do ano quando a Orquestra Barroca, sediada em Campo Grande, foi convidada a participar de um evento internacional na região de San José de Chiquitos, realizando concertos em vários lugares. Agora, haverá o encontro das duas formações, reforçada pelo Grupo Vocal Feminino da UFMS.

Na primeira parte será apresentada “Stabat Mater”, de Pegolesi, que conta com 12 movimentos. Em seguida, criações feitas no período Barroco – séculos 16 e 17 –, cujas partituras foram encontradas na década de 1970 nas ruínas de templos missionários na Bolívia. “Essas partituras nem existiam na Europa e foram resgatadas porque os religiosos católicos as mantinham nas missões. Na época, a cópia desse material era de difícil acesso.

Na mostra, será possível entrar em contato com alguns desses trabalhos”, anuncia Jardel.
No dia 9, acontecerá a final do Prêmio Campo Grande de Música, que distribuirá prêmios em diversas categorias. O público poderá assistir à final da categoria Música de Câmara, que ofecerá ao ganhador R$ 2 mil. “As outras categorias terão eliminatórias nos dias 6 e 7. Na noite, serão conhecidos os vencedores, mas as apresentações serão somente dos concorrentes da Música de Câmara”, explica Jardel. Logo depois, acontecerá a apresentação da instrumentista Soluna Garnes, de Trinidad y Tobago, que tocará um instrumento típico do Caribe, o steel drumm.

O último dia será marcado pelas apresentações do coral e da orquestra formada a partir das oficinas oferecidas ao longo do encontro. “Nossa intenção é reunir crianças e adolescentes que participam de projetos musicais em Campo Grande. Somente no coral participarão cerca de 40 cantores. A oficina será ministrada pela professora de São Paulo Silmara Drezza”, antecipa Jardel.

Logo depois haverá performance destacando música, fotografia, regional e erudito. Batizado de “Araras da cidade, música do mato” trata-se de uma das etapas do projeto do músico Thiago Quevedo. Durante um ano, ele fotografou araras em Campo Grande. O material fará parte de um livro, com previsão de lançamento em dezembro. Para as imagens,  criou temas instrumentais. “O livro será acompanhado de um CD. Seria interessante que se folheasse o material ouvindo a  música”, diz Thiago.

Na apresentação, o público conhecerá algumas dessas músicas, elaboradas com viola de cocho. O maestro Eduardo Martinelli fez o arranjo para orquestra das composições. No palco, um telão mostrará grande parte das fotografias que estarão no livro. Todas as apresentações terão entrada franca. O encontro é  realização da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), Fundação de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande.
 

Leia Também