sábado, 21 de julho de 2018

DUQUE DE CAXIAS

Vereadores suspeitos de cometer crimes são transferidos para MS

24 FEV 2011Por DA REDAÇÃO07h:40

Dois vereadores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, e outros dois supostos milicianos presos durante a operação Capa Preta foram transferidos ontem para o Presídio Federal de Campo Grande.

O pedido de transferência foi feito devido à suspeita da participação do grupo em uma série de crimes - inclusive dois homicídios -, cometidos desde a operação, realizada em dezembro de 2010. As informações são do Jornal do Brasil.

Até então custodiados no Batalhão Especial Prisional (BEP), da Polícia Militar, o vereador Jonas Gonçalves da Silva (PPS), o Jonas É Nós, e o soldado da PM Ângelo Sávio Lima de Castro seguiram do aeroporto Santos Dumont, no Rio, para a penitenciária de segurança máxima na manhã de ontem. Depois, foi a vez do vereador Sebastião Ferreira da Silva, o Chiquinho Grandão (PTB), Éder Fábio Gonçalves da Silva, o Fabinho É Nós, - ex-PM e filho de Jonas -, que estavam no Complexo Penitenciário de Gericinó. A permanência em Campo Grande, conforme decisão da Seção Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ocorrerá durante prazo inicial de 360 dias.

De acordo com a investigação que deflagrou, em 21 de dezembro, a operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco), a milícia Família É Nós era a mais bem estruturada de Caxias. Mesmo presos e respondendo à ação penal pelo crime de quadrilha armada, os líderes do bando continuaram agindo para cooptar, coagir e matar autoridades e testemunhas que prestaram declarações contra eles, segundo os investigadores.

 

Crimes em série

O sargento reformado da Polícia Militar Nelson Franco Coutinho foi morto a tiros em 27 de janeiro, quando dirigia seu veículo na avenida Pelotas, em Jardim Gramacho, área de atuação da milícia. Ele havia atuado como informante nas investigações e, pouco antes de ser assassinado, disse que os quatro milicianos planejavam matar todos que contribuíram para a prisão deles.

Em 5 de fevereiro, Lucas José Antônio, que figurava como testemunha, foi assassinado a tiros de grosso calibre em frente ao seu estabelecimento comercial, no bairro São Bento, outra área de atuação da quadrilha. Pouco antes do homicídio, a Draco obteve a informação de que ele vinha sendo coagido pelos integrantes da cúpula da milícia a negar o teor das declarações que prestou no inquérito.

No mesmo dia em que a operação foi deflagrada, a polícia soube que os integrantes da Família É Nós supostamente planejavam um atentado contra o delegado substituto da Draco, Alexandre Capote. Em 25 de janeiro, uma testemunha foi à sede da delegacia e informou ter sofrido ameaças de morte, além de ter sido perguntada se aceitaria mudar seu depoimento em troca de R$ 200 mil. Em 4 de fevereiro, outra testemunha prestou declarações na sede do MP e informou que foi abordada por Jonas É Nós, que lhe perguntou se aceitaria dinheiro para negar o conteúdo das declarações.


A operação

A operação Capa Preta cumpriu 34 mandados de prisão contra pessoas denunciadas pelo MP pelo crime de quadrilha armada, resultando na captura de 30 milicianos. Buscas e apreensões foram realizadas em 57 endereços, inclusive na Câmara Municipal de Duque de Caxias. Armas e munições foram encontradas.

De acordo com a denúncia, Jonas - soldado reformado da PM -, seu filho Éder e Chiquinho comandavam o bando fundado há cerca de três anos, que atuava nas localidades de Gramacho, São Bento, Lote XV, São José, Parque Fluminense, Parque Muisa, Pantanal, Jardim Leal, Guaíra, Sarapuí, Vila Rosário e Parque Suécia, dividindo as regiões de Caxias em áreas de influência. Nos outros escalões, segundo o MP, havia 13 PMs, outros três ex-PMs, um policial civil, um fuzileiro naval e um terceiro-sargento do Exército.

A milícia é investigada por cerca de 50 homicídios, cometidos desde 2007. O grupo movimentava cerca de R$ 300 mil por mês por meio de atividades ilegais como cobrança de "taxas de proteção" de moradores e comerciantes, monopólio da venda de cestas básicas, comércio de armas de fogo com traficantes do Complexo do Alemão e outros criminosos, agiotagem, exploração da distribuição de sinal de TV a cabo ("gatonet") e internet ("gatovelox").

De acordo com o MP, o "quartel-general" da milícia fica em Gramacho, onde Jonas possui um centro social. As ações da quadrilha envolvem a prática de homicídios coletivos, ocultação e destruição de cadáveres, torturas, lesões corporais graves, extorsões, ameaças, constrangimentos ilegais e injúrias. Os réus respondem à ação penal pelo crime de quadrilha armada. Jonas, Éder e Castro são processados ainda pelo crime de extorsão.
 

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