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Varie sua corrida: vá para as montanhas

16 MAI 2011Por IG21h:30

Correr por montanhas é uma excelente opção de atividade física, especialmente para quem busca algo diferenciado. É aliar a prática do exercício ao contato com a natureza proporcionando grande bem-estar.

"Além disso, a superação de desafios ao longo do percurso e a necessidade da adaptação do corpo a um ambiente rústico estimulam o desenvolvimento corporal e mental”, define Kleber Ricardo Pacheco, do Naventura Mkt, Esportes e Turismo, responsável pelas principais provas no Paraná, estado com grande tradição nesse tipo de esporte.

“É uma atividade que faz reviver momentos mágicos de lazer e brincadeiras de infância, tendo a natureza como testemunha. Quando corro nas montanhas, brinco de correr com muita eficiência”, reforça José Virgínio de Morais, diretor técnico da JVM Trail Run, assessoria esportiva especializada em corridas de montanha, também conhecido como o “rei das montanhas”.

Para começar, visando principalmente a segurança, é bom investir em vestimentas apropriadas. “A montanha é um ambiente hostil e necessita de roupas e calçados que proporcionem mais conforto”, diz Fábio Galvão Borges, presidente do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha, com provas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Os tênis são os principais diferenciais do vestuário. “São indicados modelos com solado com mais garras, o que proporciona maior estabilidade. Os modelos off road oferecidos no mercado atualmente são mais robustos, influenciando na segurança e no conforto dos pés. Em algumas trilhas mais fechadas, indicamos o uso de calça/pernito ou camiseta manga longa/manguito”, explica Pacheco.

Nas corridas de montanha e trilhas as variações de estímulos são grandes. A intensidade muda muito, a frequência cardíaca varia em função das dificuldades (como uma curva ou subida) e é preciso atenção para decidir onde pisar.

O treinamento, portanto, requer atenção diferenciada. “Você pode treinar no asfalto, mas o foco deve ser o limite de resistência e a força. No asfalto você levanta o pé alguns centímetros do chão e o cadencia. E os grupos musculares trabalhados são basicamente os mesmos. Já na montanha tudo é irregular: levanta-se muito o pé e é preciso esforço para deslocar o peso do corpo. Fazer isso uma vez é uma coisa; algumas milhares de vezes durante uma corrida é outra”, diz Borges.

Hoje os treinadores focam também na propriocepção, que é a forma que o corpo assimila, através de sensores nos pés, as irregularidades do terreno melhorando o equilíbrio nas subidas e descidas.

Algumas assessorias já oferecem treinamentos em meio à natureza para testar os mais diversos tipos de terrenos e ampliar a dificuldade. “Mas até as escadas podem servir para simular o esforço que se empreende nas montanhas”, explica Morais. Para corredores que querem investir nas montanhas o ideal é realizar esses treinos uma ou duas vezes por semana.

Os especialistas garantem: quem que se aventura pela natureza ganha força, resistência e agilidade.

A atenção e o reflexo são constantemente exigidos. “Tenha muito cuidado onde pisa, para minimizar os riscos de quedas e torções. O fortalecimento muscular em membros inferiores também é extremamente importante, pois eles serão constantemente exigidos em percursos neste estilo de prova”, sugere Pacheco.

“Comece devagar sem se arriscar muito. Seu corpo vai aprendendo a se equilibrar”, completa Borges

As subidas costumam assustar. “Elas exigem grande força muscular. Porém você tem o controle de seu ritmo, podendo trotar ou caminhar. Em descidas longas ou fortes (declive alto), a musculatura não entende se você quer frear a corrida cuidando para não cair ou adotar uma velocidade ótima onde a flutuação-velocidade seja bem aplicada devido à geografia. Se você não define sua estratégia antes, pode causar confusão no sistema nervoso, provocando uma agressão muscular que ficará mais perceptível no pós prova”, diz Morais.

E uma vez começada a corrida, difícil voltar atrás. “Não dá para chegar no meio de uma prova de montanha e dizer ‘não quero mais brincar, vou pegar um táxi e vou para casa’. Por isso é preciso estar forte, confiante, determinado”, explica Borges.

José Virgínio, o rei das montanhas, ensina: “Corrida em montanha não significa correr o tempo todo. Às vezes a paisagem é tão bonita que vale desacelerar um pouco para curtir. Portanto, ande quando tiver que andar. Trote quando for mais eficiente. Corra quando puder. E principalmente divirta-se!”

Nem tudo, porém, são troncos a pular, matas a abrir e rios a atravessar. Dagny Barrios, uma das maiores especialistas em corrida do mundo, autora do livro Guia Completo para Correr em Trilhas, garante: “Corrida em trilha tem tudo a ver com quietude e beleza relaxante. Experimente conectar-se com a natureza, corra e seja feliz.”.

No Brasil as provas começam em março e vão até novembro. As principais corridas de montanha organizadas por aqui têm 12 km - distância reconhecida pela CBAt como oficial – e são organizadas em São Paulo e no Paraná. Provas mais longas podem ser encontradas nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

“No meu ponto de vista as melhores são Paranapiacaba (março, SP); São Sebastião (abril SP); Santo Antonio do Pinhal (maio, SP); Extrema (junho, MG); Atibaia (julho, SP) e Maromba (setembro, RJ)”, diz Borges.

“No Paraná temos um calendário com cinco etapas de corrida em montanha e cinco etapas de corrida cross country na distância de 12 km ao longo do ano. Provas de cross country são poucas no Brasil”, completa Pacheco.

Existem ainda provas mais longas, que misturam todos os tipos de dificuldade em morros, trilhas e praias, oferecendo opções para revezamento ou solo. Uma das mais bonitas é a K42 Bombinhas Adventure Marathon, realizada em agosto, em Bombinhas (SC). O Revezamento Volta à Ilha, em Florianópolis (SC), em abril, também é roteiro para os que gostam de aventura.

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