Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

Valores variam conforme número de partes do corpo afetadas

20 SET 2010Por 20h:19

Os valores das indenizações aos portadores da síndrome da Talidomida variam conforme a quantidade de pontos (membros) afetados. Conforme perícia, por exemplo, braço e antebraço são contados como dois pontos, explicou a psicóloga Vanete Vaz, que tem quatro áreas afetadas pelo uso da talidomida.
“Mas não importa quantos são os membros afetados. O preconceito que sofremos é o mesmo; o efeito não foi diferente. Basta ter uma deficiência para que a pessoa sinta a rejeição”, relatou.

Tempos difíceis
Os tempos de criança e adolescência foram os mais difíceis. “Nasci em Rio Verde de Mato Grosso, uma cidade pequena. Minha mãe teve cinco meninos e eu, única menina, nasci com a deficiência. Quando era bebê, as pessoas iam até minha casa, não para visitar minha mãe, mas para ver a criança que não tinha os dois braços. Muitos diziam que eu não sobreviveria”.
Com cerca de três anos, a família mudou-se para Campo Grande. “Quando comecei a ir para a escola é que senti mais preconceito. Mas sempre me sobressaí por ser boa aluna e ter boas notas. Comecei a cursar Filosofia, mas depois vi que minha vocação era a Psicologia. Cursei a faculdade e a concluí em 1996. Despoi de formada, a dificuldade para conseguir emprego apareceu. Muitas empregadores, ao me conhecer, não viam a minha capacidade, mas a minha deficiência física”, continou a psicóloga, especialista em educação especial e professora em curso de Enfermagem, mas que também trabalha na área administrativa de empresa multinacional. Sua mãe morreu em 1999.
Casada, Vanete assume-se como uma lutadora e comemora a perspectiva de receber a indenização. “Ninguém vai ficar rico com o dinheiro, mas vai ajudar a melhorar as condições de vida e é um alento, por tanto sofrimento que passamos”.
Recentemente, ao falar sobre o pagamento das indenizações, a presidente da Associação Brasileira de Portadores da Síndrome de Talidomida (ABPST), Cláudia Maximino, disse que “é como se fosse um pedido de desculpas do governo por ter permitido que a droga fosse utilizada no país. Não há dinheiro que pague as dificuldades que as vítimas enfrentaram”.  (ST)

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