Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

OPINIÃO

'Usuário não é bandido', diz FHC sobre drogas

13 FEV 2011Por PORTAL TERRA16h:59

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso defendeu a descriminalização dos usuários de drogas em entrevista veiculada neste domingo no programa Esquenta!, apresentado por Regina Casé na Rede Globo. "O usuário não é um bandido, não pode ser tratado como criminoso", disse FHC, que perdeu as eleições para a prefeitura de São Paulo em 1985, quando foi alvo de uma campanha moralista do então adversário Jânio Quadros, que o acusava de ser ateu e de ter fumado maconha na década de 1960.

"Não é que não deva penalizar. Descriminalizar quer dizer que não adianta colocar o usuário na cadeia, onde ele só vai aprender a usar outras drogas. O usuário deve ser tratado. (Descriminalizar) não é legalizar a droga, não é liberar", ressalvou o tucano, que elogiou o combate ao tráfico realizado pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro. "Acho que os problemas precisam ser enfrentados com coragem. Na Colômbia, há uma luta terrível contra os narcotraficantes. No México, a guerra contra o tráfico certamente deixa mais pessoas mortas que os conflitos no Oriente Médio. Já no Brasil, vivemos uma experiência interessante (com as UPPs)".

Para o ex-presidente, o Brasil deve seguir o exemplo de países que têm "avançado" no modo de lidar com a questão. "Dependemos de nós mesmos. À medida que mais pessoas tenham essa opinião (favorável à descriminalização), as coisas avançam. E estão avançando, lentamente. Está avançando na Argentina e no México. Avançou muito em Portugal, na Holanda, na Rússia, na Alemanha. A ideia que vem dos Estados Unidos de que 'basta prender que resolve' fracassou", afirmou.

Economia

Segundo FHC, os brasileiros estão com "mais dignidade, menos medo de assumir o que elas são" desde a redemocratização do País e o controle da inflação. "O Brasil saiu de um regime de peso, desemprego e inflação. Ainda há isso, falta muita coisa, está tudo cheio de problemas, mas hoje há como prever. Antes, ninguém poderia calcular nada", disse, em referência à instabilidade dos preços durante o período inflacionário.

O sociólogo e cientista político também apontou o "povo brasileiro" como o maior motivo do crescimento do País. "Demos certo por causa deste povo, não porque governei, porque o Lula governou ou porque a Dilma governa. É esse povo que tem capacidade de crescer", afirmou.

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