Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

Uma pessoa morre em protesto contra a queima do Alcorão

10 SET 2010Por 10h:45
     

Uma pessoa morreu nesta sexta e outras seis ficaram feridas em confrontos entre as forças de segurança e manifestantes que protestavam em Faizabad (nordeste do Afeganistão) contra o projeto de um pastor evangélico americano de queimar o Alcorão.

Milhares de pessoas saíram indignadas às ruas da cidade, capital da província de Badakhshan, após o fim das rezas nas mesquitas pela festividade do Eid ul-Fitr, que lembra o fim do mês de jejum do Ramadã.

Os manifestantes se reuniram em frente à base da equipe provincial de reconstrução que a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan tem em Faizabad, como indicou à agência afegã AIP.

Nos confrontos posteriores com as forças afegãs de segurança um manifestante civil morreu e outros dois ficaram feridos, assim como quatro policiais tiveram ferimentos.

Os habitantes da cidade queriam expressar sua repulsa ao projeto do pastor radical Terry Jones, da Flórida (EUA), de queimar o Alcorão amanhã, quando se lembra os nove anos dos ataques contra as Torres Gêmeas e outros alvos americanos.

Aqueles atentados, dos quais os EUA responsabilizaram o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, "hóspede" dos talibãs afegãos, levaram à invasão americana do Afeganistão e a derrocada em novembro do regime fundamentalista.

Jones suspendeu ontem seus planos em meio a uma intensa pressão internacional e após receber uma ligação do chefe do Pentágono, Robert Gates, e uma visita do FBI (polícia federal americana).

O pastor disse à imprensa e aos fiéis em Gainesville que recuassem porque os responsáveis de construir um centro islâmico perto do "marco zero" onde ficavam as Torres Gêmeas de Nova York tinham desistido de situar o prédio no local, fato que estes desmentiram.

Jones replicou, então, que reconsiderava sua decisão de cancelar a queima. Na ligação, Gates expressou sua preocupação, pois "a queima do Corão poderia colocar em risco a vida de militares americanos, especialmente no Iraque e no Afeganistão" e pediu que cancelasse a iniciativa, segundo o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell.

Às advertências uniu-se o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que classificou a convocação da queima do Corão como um "ato destrutivo" que ajudará à Al-Qaeda a recrutar combatentes e expõem a mais riscos aos soldados norte-americanos.

                As tropas dos EUA compõem o grosso dos 150 mil homens destacados no Afeganistão.

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