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Campo Grande - MS, terça, 11 de dezembro de 2018

Uma crônica sobre “Interesse político”

3 ABR 2010Por 20h:01

Para o dicionário Houaiss (f.1096), interesse é a importância dada a algo.

Entendo que esse vocábulo é bem amplo. Em Lógica Formal seria uma premissa cujo conteúdo seria universal, porque ele é comum tanto para os seres humanos como para os bichos.

O vocábulo "interesse" é, portanto, de caráter universal e seria inviável exauri-lo só com algumas palavras.

Ele é muito presente no ser humano.

No jogo da vida, induvidosamente o interesse está presente praticamente em tudo.

O interesse político é a busca do poder e no Brasil, atualmente, os políticos têm pouco interesse pelo povo, porém, sobrelevam o interesse por si mesmo.

No campo forense, quando um advogado aproxima-se do juiz ou do promotor, duas hipóteses ocorrem, o interesse é pelo cargo ou por vínculo de amizade. Todavia, fórum não é clube e nem shopping e sim, o templo da Justiça. Logo, sua aproximação é regida pelo interesse de busca de algo. O advogado necessita de resolver seu problema. Ele busca uma sentença favorável.

O interesse do advogado é que os autos tramitem com duração razoável.

O ser humano quando se aproxima ou procura o médico no hospital ou em sua clínica, obviamente seu interesse é resolver seu problema e buscar remédio e cura para sua doença. Logo, é movido pelo interesse.

O varão ou varoa, quando procura uma instituição financeira, logicamente é compelido por algum interesse, ou seja, empréstimo de dinheiro, ou pagar alguma conta ou fazer alguma aplicação ou financiamento da casa própria, etc, mas, no fundo, impera o interesse. De outro lado, também o Banco tem interesse de negociar com o cliente, pois seu interesse em última análise é o lucro. Logo, essa relação sinalagmática é movida pelo interesse.

Quando um homem se aproxima duma mulher, provavelmente algum interesse tem por ela. Podem-se denotar várias situações mais abrangentes possíveis e de variantes infinitas. Se a mulher for bonita e rica, pode ser o interesse no possível casamento e, como corolário, ficar com a metade de seus bens e assim tornar-se seu meeiro e com ela reunir o útil ao agradável. Mas, a constante presente sempre é o interesse.

Pode ocorrer do varão pobre no sentido financeiro, – pois a pior pobreza é a espiritual, ou seja, o ser pobre de espírito, chato e burro, grosso e ignorante – ao aproximar-se de uma mulher, também pobre materialmente, serem felizes. Aqui há nivelamento de armas.

Qual é o interesse que o aluno tem pelo professor?

Em regra, é o interesse pelo aprendizado. Desejo de crescer culturalmente e ficar preparado para a vida. O interesse do aluno é aprender, mas só permanece numa sala de aula do colégio motivado por nobre interesse.

Na carreira do magistrado, qual é seu interesse na carreira? Nem sempre é o de realização de justiça e o sentimento de justiçar as partes é senão seu interesse maior em crescer e ser desembargador ou, quiçá, compor alguma Corte de Justiça, como Tribunal Superior, ou juízo ad quem na semântica processual. Todavia, a carreira do magistrado, na maioria das vezes, é motivada por esse interesse e é compreensível e normal que assim o seja.

Dante Alighieri, em sua obra universal "A DIVINA COMÉDIA", colocou o político no patamar inferno, com certa dose de acerto. Essa posição do vate tem certa utilidade para explicar o fenômeno "Lula", com seu perfil de estadista, mas que lembra o personagem "Carlitos", pelo gênio de Charles Chaplim. Contudo, como "na natureza tudo se transforma e nada se cria", segundo Lavoisier, também Lula passará bem como todos nós passaremos.

Qual é o interesse que existe da parte num processo?

É patente em ter uma sentença favorável.

Quando é a favor do autor, o réu fica furioso e blasfema contra o magistrado que começa sua carreira com vários percalços e sofrimentos, que só sabe quem sente na pele, pois quem está de fora acha que é um "mar de rosa". O autor que teve seu interesse atendido passa a elogiar o magistrado e a justiça e, algum dia, se sofrer alguma derrota judiciária, na hora muda seu conceito e passa a blasfemar contra a deusa Têmis. Ela, a deusa mencionada, na majestade de sua grandeza, silente e serena e que sofre calada e petrificada em forma de estátua, burilada pelo cinzel dum talentoso Miguel Ângelo, num mármore de Carrara, eternizada como símbolo da Justiça, irradia suas luzes santas que curam e redimem.

Que gênio esse Miguel Ângelo, que se utiliza do mármore frio e insensível e sem forma, e inspirado pela luz divina e filosoficamente, e dê valor franciscano e transforma essa pedra sem vida e surge brilhantemente Pietà ou quem sabe Têmis, Deusa da Justiça, filha de Urano e de Géia.

No alto de meus cabelos brancos, que não se confundem com a beleza da neve que espargiu no mês de fevereiro de 2010 em Paris e sim, humildemente e em posição genuflexa, afirmo com propriedade e com a pureza de coração que o único "interesse puro" é o da mãe.

Seu interesse pelo filho, na maioria da vezes, é governado pelo amor.

O amor, esse vocábulo milagroso que justifica nosso viver nesse mundo.

O interesse da mãe pelo filho, esse poder miraculoso outorgado por Deus... Foi outorgado não em Cartório e, sim, no abençoado útero, que cria e opera milagres onde germina a criatura.

Aí é que nasce esse poder de mãe.

Essas elucubrações sobre o interesse, que agora falo também do íntimo, é o interesse que eu tenho, nesse quartel da vida, no alto de meus setenta anos, somente pelos meus filhos e meus netos, enfim minha família e alguns amigos.

Que pena que minha imaginação não me permite outras considerações mais profundas e nem alçar os voos do condor ou das gaivotas.

Diante disso, o meu interesse agora é encerrar essa crônica.

O interesse em coerência com o amor.

 

Abrão Razuk

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