Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Um paixão que não tira férias

10 JAN 2011Por 00h:20

Philia, teoriza Aristóteles em "Ética a Nicômano", é um termo grego que designa o amor, mas é mais abrangente que este. A cinefilia portanto é um amor exagerado pela arte cinematográfica. Geralmente, os grandes diretores (ou outros envolvidos de alguma forma com a produção de filmes) são também grandes cinéfilos. Basta citar alguns nomes que vão de François Truffaut e Jacques Rivette a Francis Ford Coppola e Steven Spielberg. No Brasil, Glauber Rocha e Rogério Sganzerla são alguns dos amantes do cinema que decidiram criar filmes por causa desse amor.

Cael Horta, de 20 anos, também decidiu que iria transformar a paixão por filmes em um modo de produzi-los. Sem medo, a jovem estudante rumou para Buenos Aires com o objetivo de fazer um curso superior em Cinema. A escolha pela capital argentina se deu por acreditar que a indústria cinematográfica argentina é uma referência na América do Sul e no mundo. "Quando acontecem grandes estreias, os atores vêm para cá prestigiar. É algo que não acontece com tanta frequência no Brasil", esclarece.

Viciada em filmes há tempo demais para se lembrar quando e como começou o vício, Cael conta que assiste a pelo menos um filme diariamente. "Eu adoro viajar e ver filmes, é um tipo de viagem. Assistindo a filmes eu posso conhecer outras culturas às quais dificilmente teria acesso", define. Por isso também "a forma de ver o mundo muda, a cabeça fica mais aberta". Segundo ela, qualquer pessoa que assiste a filmes demais se transforma, deixando preconceitos de lado e aprendendo a ver o mundo com mais tolerância.

De férias em Campo Grande, Cael arrumou um jeito de se manter perto dos filmes. Arrumou emprego em uma locadora. Com acesso a um dos maiores acervos do País, que vai além dos blockbusters (termo que designa os grandes sucessos comerciais hollywoodianos), a estudante tem acesso a lançamentos de filmes produzidos no mundo inteiro. "Filmes tailandeses, iranianos, romenos, suecos, tudo. É o céu na terra para quem gosta de filmes", pontua. Evitando apenas obras de terror, comédias "escrachadas" ou dramalhões, Cael assiste de tudo um pouco. "Tenho uma lista de mais de mil filmes para assistir e ela cresce um pouco a cada dia", pontua a cinéfila. (TA)

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