quinta, 19 de julho de 2018

CRIME

Um dos três acusados de assassinar vereador de Alcinópolis é ouvido

8 FEV 2011Por EVELIN ARAUJO E VIVIANNE NUNES17h:28

O pedreiro Aparecido Souza Fernandes, de 34 anos, acusado de participação no assassinato do vereador de Alcinópolis Carlos Antônio Costa Carneiro, de 40 anos, foi o único dos acusados ouvidos ontem, por volta das 15h30min, na 2ª Vara do Juri de Campo Grande, além de outras 6 testemunhas de defesa e uma de acusação. Uma outra testemunha de defesa faltou ao interrogatório.

Durante o depoimento de quase uma hora, o acusado se declarou inocente. Ele disse que conheceu Irineu Maciel, de 34 anos, há sete meses em uma obra e que ele pediu uma carona a ele, de moto, para levá-lo até o hotel para que ele recebesse certa quantia em dinheiro. Aparecido buscou o colega em uma praça do Bairro Serra Azul, local onde mora Irineu, e eles foram até o hotel onde estava hospedado o vereador. Irineu desceu e perguntou por Carlos Carneiro e como ele não estava, os dois foram beber refrigerante em um bar a quatro quadras do local. Após ir ao banheiro e olhar o celular, Irineu decidiu retornar e cometeu o crime.

Aparecido alega desconhecer o vereador e a família e diz que ganharia R$ 15 para levar Irineu até o hotel. Ele alega ter ficado cerca de 700 metros do local, sob uma uma árvore. Aparecido também alega que um ônibus do transporte urbano quebrou ao lado do hotel e que ele não pôde ver o que aconteceu, só ouviu os disparos. "Eu fiquei com medo de morrer, Irineu falou ‘vamos embora, vamos embora’ e eu subi na moto e o levei dali". Logo após a polícia teria disparado na direção dos dois e ele parou a moto, jogando-se ao chão.

 

Mesma cela

Aparecido Souza disse no interrogatório que está na mesma cela que Irineu Maciel. Questionado pela acusação se ele e Irineu conversavam sobre o crime, Aparecido declarou que sempre faz perguntas ao colega, que se recusa a responder. "Eu tenho medo de ficar lá, com ele", Aparecido diz.

 

Família e advogado

O pai do vereador assassinado, Alcino Fernades Carneiro, avalia a tarde de interrogatórios e diz que as testemunhas da defesa não se saíram bem. "As testemunhas deles foram péssimas. Muitas coisas não bateram". Ele diz que acredita que o andamento do processo está lento. "Não tenho dúvida que foi o prefeito o mandante do crime. Não sei o motivo da demora para indiciá-lo", ele desabafa.

A irmã de Carlos Carneiro, Rosângela Costa Carneiro, diz que Aparecido está tentando se livrar das acusações. "Ele está tentando, mas é tão culpado quanto os outros". Questionada sobre a família ter medo do prefeito de Alcinópolis, Rosângela diz "prefiro não comentar sobre isso".

O advogado da família, Ricardo Trad, diz que é muito difícil fazer suposições. "Eu acredito que a polícia vá desvendar quem foi o autor intelectual, porque o processo traz indícios razoáveis da participação do mandante".

 

Processo

 A defesa pediu a liberdade provisória de Aparecido Souza Fernandes mas acredita que o juiz só deve se manifestar no final das delegações sobre o caso. A defesa também pediu para que seja investigado junto a empresa de transporte coletivo urbano sobre o ônibus que Aparecido alegou estar quebrado naquele dia e o resultado do pedido deve sair em 5 ou 6 dias. Os outros dois acusados, Irineu Maciel, acusado de efetuar os disparos e Valdemir Vansan, de 37 anos, que teria contratado Irineu para cometer o assassinato serão ouvidos no dia 1º de março. O juiz Aluízio Pereira dos Santos também sugeriu o desmembramento do processo para que os acusados sejam julgados individualmente.

Atualizado às 17h42 para acréscimo de informações

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