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ARGENTINA

Último ditador é condenado à prisão perpétua

14 ABR 2011Por g122h:56

O último ditador da Argentina, Reynaldo Bignone (1982-1983), de 83 anos, foi condenado nesta quinta-feira (14) à prisão perpétua por crimes contra a humanidade.

Bignone já havia sido condenado em abril de 2010 a 25 anos de prisão por privação ilegal de liberdade e tortura de presos políticos durante a ditadura (1976-1983). Os crimes foram cometidos na base militar de Campo de Mayo, que abrigava quatro centros de tortura e uma maternidade clandestina para presas políticas.

Horas antes da sentença, Bignone fez uso do direito a sua derradeira defesa afirmando que a Justiça civil não era "competente" para julgá-lo e que deveria ter ido a um tribunal militar.

"Estes repressores são perigosos, não importa sua idade. Nunca se arrependem do que fizeram", disse Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, após a leitura da sentença, que foi recebida com aplausos por militantes pró-direitos humanos.

O Tribunal Federal de San Martín também condenou à prisão perpétua o ex-subcomissário e ex-prefeito de Escobar (periferia oeste de Buenos Aires) Luis Patti, 59 anos, por sequestro, tortura e homicídio.

Na mesma audiência, foram condenados à prisão perpétua o general Santiago Omar Riveros e o oficial de inteligência Martín Rodríguez.

Como último ditador argentino, Bignone entregou o poder a Raúl Alfonsín (1983-1989), primeiro presidente eleito após a ditadura argentina.

Desde a anulação das leis de anistia, em 2005, a Justiça argentina já condenou mais de 200 chefes militares, e há outros 800 processos em andamento contra militares e policiais ligados à ditadura.

Segundo organismos de defesa dos direitos humanos, mais de 30 mil pessoas desapareceram na Argentina durante a ditadura, e 500 crianças, filhos de desaparecidos, foram roubadas ou entregues a repressores, das quais 103 já recuperaram sua identidade.

Além de enfrentar este processo, Bignone é um dos oito acusados em um julgamento que começou em fevereiro por 35 casos de roubo de bebês durante a ditadura.
 

 

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