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Campo Grande - MS, quarta, 21 de novembro de 2018

TV ou computador de madrugada aumenta risco de depressão

31 JUL 2012Por oqueeutenho13h:00

É o que aponta um novo estudo realizado com modelos animais. Segundo a pesquisa, hamsters expostos à luz fraca durante a noite desenvolveram sintomas depressivos, no entanto, estes efeitos foram revertidos com a retomada do ciclo claro-escuro padrão.

“Os resultados que encontramos são consistentes com o que sabemos sobre a depressão em humanos. A boa notícia é que as pessoas que ficam até tarde na frente da televisão e do computador podem ser capazes de desfazer alguns dos efeitos nocivos apenas retornando a um ciclo claro-escuro regular e minimizando a exposição à luz artificial durante a noite. Pelo menos, é o que sugere o estudo”, diz Tracy Bedrosian, líder da pesquisa da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA.

Os animais utilizados no estudo foram expostos à luz fraca durante a noite por quatro semanas. A quantidade de iluminação foi equivalente a de uma TV em um quarto escurecido.

Testes comportamentais mostraram que estes animais expostos à luz durante a noite apresentaram sintomas depressivos: eles não tinham energia ou motivação. Em duas semanas eles voltaram ao ciclo claro de dia e escuro à noite e tiveram uma recuperação completa.

Os resultados, publicados no periódico Molecular Psychiatry, apontam para uma ligação com as crescentes taxas de depressão em seres humanos ao longo dos últimos 50 anos.

O novo estudo verificou que uma proteína particular encontrada no cérebro destes animais – e em seres humanos – pode desempenhar um papel importante na forma como a luz durante à noite conduz à depressão. Dados mostraram que hamsters expostos à luz fraca no período da noite apresentaram aumento na expressão do gene que produz a proteína fator de necrose tumoral (TNF, na sigla em inglês). Os pesquisadores descobriram que bloquear os efeitos desta proteína previne o desenvolvimento de sintomas depressivos em hamsters, mesmo quando eles são expostos à luz durante a noite.

Proteínas encontradas em processos inflamatórios

O TNF é um de uma grande família de proteínas chamadas citocinas – mensageiros químicos que são mobilizados quando o corpo é lesionado ou tem uma infecção. No esforço para reparar uma área ferida ou infeccionada do corpo, estas citocinas causam inflamação, que pode ser prejudicial quando é constante, como acontece em hamsters expostos à luz fraca durante a noite.

“Os pesquisadores descobriram uma forte associação entre inflamação crônica e depressão em pessoas”, diz Randy Nelson, que também participou do estudo. “É por isso que é muito significativo o fato de termos encontrado uma relação entre luz fraca durante a noite e aumento da expressão de TNF.”

Além disso, outros resultados mostraram que a exposição à luz fraca reduz a densidade das espinhas dendríticas – espécie de fios de cabelo que crescem nas células do cérebro, que são utilizadas para enviar mensagens químicas a partir de uma célula para outra.

“Mudanças como esta têm sido associados à depressão”, diz Bedrosian. No entanto, retornar ao ciclo claro-escuro padrão também normaliza a densidade de espinhas normalizadas.

Em um segundo experimento, os pesquisadores testaram a importância do TNF sobre efeitos adversos observados em hamsters expostos à luz fraca durante a noite. Para o estudo, alguns hamsters receberam um medicamento inibidor de TNF, que anula os efeitos da proteína no cérebro.

Estes resultados mostraram que os animais que foram expostos à luz fraca durante a noite não apresentaram qualquer sintoma depressivo após receber a droga. No entanto, o fármaco não parece impedir a redução da densidade de espinha dendrítica.

“O estudo fornece a evidência adicional do papel que a proteína TNF desempenha sobre os sintomas depressivos observados em hamsters expostos à luz fraca. Mas, o fato de o inibidor não afetar a densidade das espinhas dendríticas significa que mais precisa ser aprendido sobre como exatamente a TNF funciona”, conclui Nelson.

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