Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

TV digital completa dois anos no Brasil e ainda confunde consumidor

28 NOV 2009Por 20h:30
     

        Da redação

        A TV digital brasileira completa dois anos na quarta-feira. Segundo o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), foram mais de 2 milhões de receptores vendidos (incluindo televisores, set-top boxes, celulares e conversores para computador). O sinal digital está no ar em 26 cidades brasileiras, à frente do cronograma oficial.
        A Argentina, o Chile, o Peru e a Venezuela aderiram à tecnologia nipo-brasileira, e o Equador e Cuba avaliam sua adoção. "Vou para Moçambique no domingo (hoje), para apresentar a tecnologia para 250 representantes de vários governos da África", informa Frederico Nogueira, presidente do Fórum do SBTVD.
        Tudo isso pode ser visto como indicadores de sucesso, mas ainda existe um grande desafio: fazer com que a TV digital seja entendida pelo consumidor. Os fabricantes empreendem esforços, com demonstrações, treinamento de vendedores e sites especiais, para explicar o que é essa tecnologia. O Fórum do SBTVD, que reúne emissoras, fabricantes e governo, prepara uma campanha de esclarecimento para janeiro.
        "O consumidor sabe que a TV digital é melhor que a analógica, mas não sabe direito porque", diz Marcio Portella Daniel, diretor de Eletrônicos de Consumo da Samsung. Desde o começo do mês, a empresa passou a comparar, em algumas lojas e shopping centers, a TV digital à analógica, para que o consumidor possa ver na prática quais são as diferenças. "As vendas têm dobrado nesses lugares", destaca Daniel.
        Mais quais são as principais dúvidas? Em primeiro lugar, a TV digital que foi lançada há dois anos não tem nada a ver com a TV paga. As empresas de televisão por assinatura - como Net, TVA e Sky - também têm seus pacotes digitais. Os serviços via satélite, como o da Sky, sempre foram digitais. A TV digital aberta, no entanto, tem características próprias e o espectador precisa ter equipamentos específicos para assisti-la. O consumidor precisa de um conversor ou uma TV com receptor embutido para assistir a TV aberta digital. Também precisa de uma antena UHF.
        Outra dúvida comum é confundir alta definição com TV digital. Nem todo programa transmitido digitalmente tem alta definição, que oferece uma qualidade de imagem seis vezes melhor que a convencional. Para assistir uma imagem em alta definição, é necessário uma TV no formato Full HD. Se o espectador ligar um conversor à TV de tubo terá provavelmente uma imagem melhor, mas não a alta definição.
        "A dúvida é quase unânime sobre o que precisa comprar para assistir a TV digital", afirma Luiz Fernando dos Santos, gerente comercial da Fnac. "Faz parte do script do vendedor dizer o que é preciso." O consumidor pode comprar um televisor Full HD com ou sem receptor integrado. Se optar por um aparelho sem receptor, precisará de um conversor. Nos dois casos, terá de instalar uma antena UHF, que pode ser interna. "Existe uma certa resistência do consumidor, que se pergunta: será que o vendedor não está me empurrando?"
        MULTIPROGRAMAÇÃO
        A TV digital tem quatro diferenças principais em relação à analógica: alta definição, mobilidade, multiprogramação e interatividade. A alta definição está disponível em uma parte da programação. A mobilidade permite assistir televisão em celulares com receptores, televisores portáteis e conversores para computador. A multiprogramação, em que até quatro programas são transmitidos ao mesmo tempo em um só canal, como se o transformasse em quatro canais, foi proibida por uma portaria do Ministério das Comunicações.
        A TV Cultura, de São Paulo, conseguiu depois de muita briga colocar mais de um canal no ar, depois de receber autorização para uso da multiprogramação em caráter experimental. A interatividade, que é o único componente brasileiro do sistema nipo-brasileiro, ainda não está disponível comercialmente, depois de dois anos.
        "A interatividade vai chegar em dezembro ou começo de janeiro", afirma Fernanda Summa, gerente de Produtos de TV da LG. A fabricante demonstrou um televisor com o Ginga, software de interatividade do sistema nipo-brasileiro, durante o evento Broadcast & Cable, no fim de agosto, em São Paulo. "Durante a Copa, a interatividade será um recurso bastante explorado, com informações sobre os jogos."
        Apesar das dúvidas dos consumidores, a adoção da TV digital deve se acelerar nos próximos anos, com a substituição das TVs de tubo por telas de LCD e plasma. As vendas dos aparelhos de tela fina devem ultrapassar as dos modelos de tubo na próximo ano, e o governo definiu um cronograma obrigando fabricantes a incluírem o receptor nos televisores.
        O governo definiu ainda que, a partir de 2010, 5% dos aparelhos celulares venham com receptor de TV digital. Essa regra está sendo revista, com a expectativa de que o prazo seja ampliado para julho de 2011. "Esse mercado está se abrindo, com a adesão de outros países ao sistema adotado no Brasil", diz Luiz Claudio Carneiro, diretor de Relações Governamentais da Nokia, que lançou na semana passada um receptor de TV digital para celular. (informações do Estadão)

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