segunda, 23 de julho de 2018

Turistas britânicas deixam presídio no Rio e dizem ter vivido "pesadelo"

2 AGO 2009Por 16h:00
     

        Acusadas de estelionato, as turistas britânicas Shanti Simone Andrews e Rebecca Claire Turner, ambas de 23 anos, deixaram o complexo penitenciário de Bangu, no Rio, no final da tarde deste sábado (1). Elas irão responder ao processo em liberdade. Em entrevista ao jornal inglês "Daily Mirror", as jovens classificaram o período de prisão como "um pesadelo".

        Andrews e Turner conseguiram a liberdade provisória por meio de liminar (decisão provisória) deferida na noite de sexta-feira (31) pelo desembargador Sérgio Verani, da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Antes, o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, havia negado o pedido, sob alegação de que ambas poderiam fugir para a Inglaterra antes da conclusão do processo. Se condenadas, as inglesas podem cumprir pena de um a cinco anos de prisão.

        Apesar da liberdade provisória, elas não podem deixar o país e devem se apresentar à Justiça do Rio na próxima quarta-feira (5). Mas, segundo o jornal inglês, ambas criticaram as condições em que ficaram detidas, inicialmente em uma cela da Polinter (órgão da polícia do Rio de Janeiro especializado em capturas) de Mesquita, na Baixada Fluminense.

        "Foi como viver um pesadelo. Foi a coisa mais aterrorizante que aconteceu na minha vida. Eles falavam apenas português e nós, somente inglês. Houve momentos em achamos que não sairíamos de lá", disse Turner.

        Ela ainda afirmou que as celas, na verdade, seriam pequenos quartos superlotados e que cada espaço era dividido com outras 25 presas. "Todas dormiam no chão de concreto. Eles só nos deram um cobertor fino." Andrews disse que o advogado Renato Tonini levou sacos de dormir para elas, mas que não foram autorizadas a usá-los.

        "Não havia pátio ou espaço para exercícios. De dia, era molhado e quente. De noite, úmido e muito frio. E era muito barulhento à noite, algumas das mulheres ficavam chorando e gritando palavrões", declarou. Transferidas para o presídio na sexta-feira (31), elas descreveram Bangu como "os portões do inferno" ao "Daily Mirror.

        "Havia outras presas designadas para a limpeza. Elas tinham cabeças raspadas e pareciam garotos com tatuagens e piercings. Uma delas foi atrás de Becky [Turner] e fazia gestos obscenos. Na outra prisão, ficavam perguntando se éramos lésbicas. Mas esta foi a primeira vez em que realmente receamos estar em perigo ou que seríamos atacadas", reclamou Andrews.

        Além do alegado assédio de outras presas, as britânicas disseram que algumas detentas lhes ofereceram drogas, como maconha e crack.

        A assessoria da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio não foi localizada neste domingo para comentar as declarações das inglesas. 

        Golpe do seguro

        Segundo a polícia, as turistas passavam férias no Brasil e afirmaram que haviam sido assaltadas e ficado sem suas bagagens durante uma viagem de Foz do Iguaçu (PR) ao Rio.

        A polícia desconfiou do caso pela tranquilidade delas. Durante a apuração, policiais passaram pelo albergue onde elas estavam hospedadas na praia de Copacabana, na capital fluminense, e encontraram todos os pertences das turistas --sem nenhum indício de que algo havia sido roubado.

        Ambas foram denunciadas pelo Ministério Público por tentativa de fraude e estelionato contra a seguradora das bagagens. Simone Headley, mãe de Andrews, classificou o episódio como um mal-entendido e pediu "clemência" às autoridades brasileiras. (informações da Folha)

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