quinta, 19 de julho de 2018

BRASIL

Turismo preciso ser competitivo

7 MAR 2011Por ESTADÃO15h:36

Apesar de ser considerado o País com a maior riqueza natural do mundo, o Brasil não consegue ser competitivo na indústria de turismo e perde espaço para outras nações. Problemas de infraestrutura, regulação, violência, falta de mão de obra qualificada e ausência de investimentos acabam se sobrepondo às vantagens das belezas nacionais. É o que mostra o ranking sobre a competitividade no setor divulgado pelo Fórum Econômico Mundial.

O Brasil desbancou todos os 139 países analisados e marcou o primeiro lugar no quesito de riqueza natural, principalmente pela diversidade de espécies animais existentes, com a fauna mais rica do mundo, além do número de lugares considerados patrimônios da humanidade, da quantidade de áreas protegidas e da qualidade do meio ambiente.

Entretanto, ficou apenas com o 52º lugar na classificação geral do ranking de competitividade no turismo deste ano, perdendo sete posições na comparação com o levantamento anterior, realizado em 2009 - apesar de ter mantido praticamente a mesma nota.

As piores avaliações foram obtidas em critérios como a infraestrutura de transportes, a ausência de trabalhadores qualificados e as regras para o estabelecimento de negócios no setor. O Brasil aparece, por exemplo, como um dos países onde mais tempo se leva para abrir uma empresa. O peso do crime e da violência também desfavorece o País.

O levantamento mostrou ainda a falta de prioridade dada à indústria de turismo, em razão dos baixos investimentos do governo. "A rede de transportes continua pouco desenvolvida e a qualidade das estradas, portos e trens precisa de melhorias", diz o estudo.

O Fórum Econômico Mundial destaca que a competitividade do Brasil nessa área fica abalada também em razão dos elevados impostos que recaem sobre o transporte. O levantamento aponta a alta taxação embutida nas passagens aéreas e as tarifas cobradas pelos aeroportos.

Dessa forma, o Brasil acabou superado no ranking, por exemplo, pelo México, que subiu oito posições e agora está em 43º. Além das riquezas naturais e culturais, o país vem priorizando o turismo, com uma série de campanhas para atrair visitantes.

A Suíça, a Alemanha e a França são considerados os países mais atraentes para o desenvolvimento da indústria de turismo, entre os 139 analisados pelo ranking.

Emergentes

Conforme o Fórum, existe grande expectativa em relação à crescente procura da população dos países emergentes por turismo, principalmente entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

Os Brics representam 42% da população mundial e fazem os empresários do turismo "sonharem com uma enorme demanda esperando para ser liberada, já que o aumento da prosperidade permitirá que as pessoas viagem para fora".

Apesar da retração mundial da indústria de turismo durante a crise financeira global, as viagens e os gastos dos chineses no exterior continuaram crescendo 4% entre 2008 e 2009.

Entretanto, o estudo mostra que a demanda emergente ainda não atingiu o volume necessário para desbancar a procura dos países ricos como principal condutora do setor mundial de turismo. Na China, a receita por passageiro por quilômetro está bem abaixo da média mundial e assim deve ficar até 2025, prevê o Fórum Econômico Mundial. "Até 2025, ainda haverá uma enorme diferença entre a atividade de viagens na China e nas economias desenvolvidas."
 

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