Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Saúde

Trombose, esta desconhecida

4 NOV 2010Por CRISTINA MEDEIROS00h:00

Os brasileiros pouco conhecem sobre a Trombose Venosa Profunda (TVP) – ou, simplesmente, trombose; não sabem como prevenir e nem os riscos de desenvolver a doença – um distúrbio de coagulação do sangue que provoca a formação de coágulos nas veias e artérias. Esta é a principal conclusão de uma pesquisa realizada com 1.008 pessoas em cidades de todas as regiões do Brasil pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), entre 27 de julho e 3 de agosto e divulgada semana passada, em São Paulo. O estudo contou com apoio da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e do Laborarório Sanofi-Aventis.

Traduzindo em números, constatou-se que 57% não conhecem os sintomas e as consequências e, entre aqueles que já ouviram falar da trombose, 43% não sabem apontar medidas preventivas.

Na maior parte dos casos, a trombose localiza-se nas veias da perna e causa inchaço e dores localizadas. Em 10%, no entanto, o coágulo se desloca pelo corpo e chega aos pulmões, onde causa embolia pulmonar (insuficiência respiratória), levando cerca de um quinto dos pacientes à morte. A EP, como também é conhecida, é ainda mais desconhecida do que a trombose: 78% da população não sabe de que se trata.

No grupo de alto risco, com idade média de 48 anos, o conhecimento sobre trombose chega a 65%, porém apenas 5% dos entrevistados consideram ter alto risco de desenvolver o tromboembolismo venoso e 64% relataram não ter informações para avaliar o seu risco de desenvolver a trombose.
“Nossa população está desinformada sobre o que é trombose e esta pesquisa é muito importante, pois mostra que é necessário aumentar a conscientização da população sobre a doença e suas consequências”, afirma Guilherme Pitta, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBAVC). Segundo ele, com a disseminação das informações para a população, será possível cobrar mais ações preventivas por parte dos hospitais, investir em programas de educação médica continuada para identificar pacientes sob risco no ambiente hospitalar e implementar a prevenção adequada. “Essas medidas podem ajudar a evitar várias mortes”, garante ele.

Grupo de risco
Há vários fatores de risco associados ao tromboembolismo venoso, que predispõem uma pessoa à doença, como idade acima de 40 anos, obesidade, imobilidade, tabagismo, reposição hormonal, presença de varizes nas pernas, entre outros. E se a pessoa deste grupo faz uma cirurgia, esse risco dobra. É o caso da professora V. F. C, de 34 anos, de Campo Grande, que aos 23 anos deu os primeiros sinais de que entraria para este grupo de risco, porém, sem ter qualquer informação sobre o problema, mesmo depois de atendida pelo médico. “Eu tomava pílula anticoncepcional, mas nunca fui orientada sobre a possibilidade de ter algum problema como a trombose. Recebi a receita e tomei a pílula sem que fizessem um histórico, perguntas ou exames em mim”.

A professora desenvolveu tromboflebite, retirou uma  safena e apenas hoje, 11 anos depois, ficou sabendo que seu caso era ainda mais grave. “Engravidei recentemente, tive sérios problemas e os médicos descobriram que eu tenho trombofilia, uma anomalia no sistema de coagulação. Passei a tomar anticoagulante e só agora é que me orientaram sobre os riscos que corro”.

Na região Centro-Oeste
No ano de 2009, a trombose atingiu 5.398 pacientes, matando 1.098. A pesquisa do Ibope também apontou que a Região Centro-Oeste figura em quarto lugar no número de óbitos, internações e gastos com tratamento, atrás das regiões Sudeste (primeiro lugar), Sul (segundo) e Nordeste (terceiro). Entre janeiro de 2008 e agosto de 2010, de acordo com informações repassadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal tiveram mais de 5,5 mil internações na rede pública, com gastos da ordem de mais de R$ 2,8 milhões. Foram registradas, no mesmo período, 102 mortes.

Segundo a professora Ana Thereza Rocha, do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário Professor Edgar Santos, em Salvador (BA) e coordenadora do estudo nacional para a implantação do Programa TEV Safety Zone – Prevenção no Ambiente Hospitalar, o tromboembolismo venoso é problema de todo e qualquer médico e profissional de saúde. “É importante prevenir, e por que? Porque a trombose traz sequelas graves e pode levar à morte quando a doença desenvolve uma  embolia pulmonar. Então, existe o programa Safety Zone, que visa justamente ajudar o médico a reduzir esta chance de problemas, avaliando o paciente que chega ao hospital”.  Em Campo Grande, seis hospitais aderiram ao programa.

Segundo o dr. Guilherme Pitta, a partir deste ano uma série de diretrizes elaboradas pelas sociedades das di­­versas áreas pretende acabar com o con­­flito de informações. “Antiga­mente, cada sociedade elaborava suas diretrizes, que por vezes eram conflitantes. Agora, todas se reuniram e ela­­boraram diretrizes em con­­junto. Então, haverá uma revisão por parte da Asso­­cia­­ção Médica Bra­sileira (AMB). As diretrizes virarão resolução do Ministério da Saúde e deverão ser cumpridas por médicos das mais diversas áreas”.

O que fazer para evitar a doença
* Faça caminhadas regularmente.
* Nas situações em que precisar permanecer sentado por muito tempo, procure movimentar os pés como se estivesse pedalando.
* Quando estiver em pé, parado, mova-se, como se estivesse andando.
*Antes das viagens de longa distância, consulte seu médico e peça orientações.
*Quando permanecer acamado, faça movimentos com os pés e as pernas. Se necessário, solicite ajuda de alguém.
* Evite fumar
* Faça exercícios
*Controle seu peso
* Se você necessita fazer uso de hormônios, já foi acometido de trombose e tem história familiar de trombose, consulte regularmente seu médico.
* Use meias de contenção se o seu tornozelo costuma inchar com frequência.
 

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