domingo, 22 de julho de 2018

CRIAÇÃO DO ESTADO

Trinta e três anos depois, MS tem muitos desafios a superar

10 OUT 2010Por ICO VICTÓRIO15h:25

O Estado de Mato Grosso do Sul comemora 33 anos de criação amanhã (11). Em 1974, o governo federal, pela Lei Complementar nº 20, estabelece a legislação básica para a criação de novos Estados e territórios, reacendendo a campanha pela autonomia. No dia 11 de outubro de 1977, o presidente Geisel assinava a Lei Complementar nº 31 criando o Estado de Mato Grosso do Sul, com capital em Campo Grande. Em 31 de março de 1978, o engenheiro Harry Amorim Costa era nomeado Governador do Estado. Duas razões essenciais foram invocadas pelo governo federal para justificar o desmembramento: o fato de ter o Estado do Mato Grosso uma área grande para comportar uma administração eficaz; e a diferenciação ecológica entre as duas áreas, sendo Mato Grosso do Sul uma região de campos, particularmente indicada para a agricultura e a pecuária, e Mato Grosso, na entrada da Amazônia, uma região bastante menos habitada e explorada, e em grande parte coberta de florestas.

Daquele período até a década de 80, houve muitos desacertos políticos que trouxeram dias de turbulência para a nova unidade da federação. Com o restabelecimento da democracia e fim do regime militar, a população brasileira pode ir às urnas e escolher os novos governadores. Assim, Mato Grosso do Sul teve oportunidade para, ainda dando os primeiros passos, escolher seus governantes. Trinta e três anos depois o cenário para os próximos quatro anos é de crescimento contínuo. Porém, para acompanhar outros estados do País e alçar vôo rumo aos mercados internacionais, o governador reeleito André Puccinelli (PMDB) terá pela frente desafios para vencer gargalos sócios-estruturais e, enfim, colocar o Estado nos trilhos do desenvolvimento autosustentado.

Não se discute: a importância estratégica do agronegócio para a economia regional vai exigir fôlego dobrado do próximo governante. Em síntese, se os indicadores apontam para prioridade nesta fonte econômica que desperta atenção do mundo - e transformou no carro chefe do País hoje no exterior - o próximo Governo vai precisar - com a mesma atenção - ampliar investimentos na Saúde, Educação, Cultura, Esportes e Lazer, reforçando a rede de proteção social do cidadão sul-mato-grossense. Mais hospitais, unidades de saúde regionalizadas e oferta de novos cursos técnicos e profissionalizantes, direcionados para a economia do campo, são dois pontos nevrálgicos e que precisam de atenção imediata do Estado, igualmente.

 

Mão-de-obra

Na esteira do crescimento do setor, eis que surge falta do principal insumo: mão-de-obra capacitada. Pesados investimentos estão chegando ao Estado, como a fábrica de fertilizantes, em Três Lagoas, usinas de álcool e açucar, setores têxtil, moveleiro, de energia elétrica e construção civil, e não encontram aqui profissionais capacitados. Milhares de trabalhadores estão sendo recrutados em outros estados do Brasil para preenchimento de vagas em obras. Esta deficiência aponta para necessidade de o Estado ampliar atuação do seu setor de Trabalho.

Hoje, a Fundação Estadual do Trabalho faz o que pode para atender este crescimento, mas esbarra na falta de estrutura para ampliar e melhorar capacitação. Em vez de cursos para pedreiros, carpinteiros, mecânicos e domésticos, a fundação deve ampliar prestação de serviços e oferecer cursos profissionalizantes. Dinheiro para isso, tem. Seja do Fundo de Amparo ao Trabalhador, seja do FGTS e do próprio Estado.

Logística

Para acompanhar o crescimento das demais unidades da Federação, o Estado com vocação natural para o agronegócio precisa continuar apostando na logística de transportes, a partir da pavimentação asfáltica de corredores para escoamento de produção até a retomada dos investimentos em ferrovias (-Campo Grande-Corumbá-Maracaju-Porto de Paranaguá) e portos (hidrovias dos rios Paraguai e Paraguai), completando o modal para encurtar distâncias e abrir novas fronteiras agrícolas.

Na prática, isso significa que Mato Grosso do Sul nos próximos anos abrirá novas fronteiras agrícolas com incorporação de milhões de hectares ao setor produtivo, com maior competitividade no mercado, a partir do baretamento do frete para o transporte entre a lavoura/armazém até os portos de exportação.

Previsão

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o cenário para os próximos dez anos é de crescimento nas exportações brasileiras de etanol (182%), soja (33%), farelo de soja (10%), milho (65%), açúcar (45%), carnes (43%) entre outros produtos.

Relatório

De acordo com o relatório "Perspectivas Agrícolas 2010-2019", emitido em conjunto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os países em desenvolvimento vão ser a grande força do crescimento da produção, do consumo e do comércio agrícola nos próximos dez anos, e o Brasil deve ser uma das estrelas do processo: "É no Brasil que a alta da produção agrícola será, de longe, a mais rápida", diz o documento.

Renda melhor

A demanda dos países em desenvolvimento é impulsionada pelo aumento da renda per capita e pela urbanização, reforçada pelo crescimento populacional que é duas vezes maior do que nos países desenvolvidos. A tendência é de um aumento no consumo de produtos como carnes e alimentos processados, o que deve favorecer os produtores de bovinos e frangos. Além disso, com uma classe média em expansão, o consumo de alimentos nos países em desenvolvimento deve depender menos de mudanças no preço e na renda.

 

 

 

 

 

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