segunda, 23 de julho de 2018

Pesquisa

Transexualismo é forma de expressão, e não psicose

17 FEV 2011Por Diário da Saúde03h:02

Psicanalistas que se pautavam na teoria lacaniana, desenvolvida por Jacques Lacan nos anos 1950, associavam o transexualismo à personalidade psicótica.

A perda da noção da realidade do corpo faria com que um homem se enxergasse mulher e vice-versa.

Porém, uma pesquisa apresentada ao Instituto de Psicologia (IP) da USP aponta para um outro caminho.

Segundo o estudo, a vontade de ser do sexo oposto não implica necessariamente uma patologia ou uma disfunção de percepção da aparência, mas uma singularidade de algumas pessoas.

Muitas vezes, o transexual aceita seu corpo, mas se porta como o sexo oposto

Funcionamento normal da mente

O psicólogo Rafael Cossi, autor da pesquisa, trabalhou com diferentes noções da psicanálise lacaniana para tentar explicar por que algumas pessoas buscam viver suas vidas como se fossem do sexo oposto.

Seu objetivo era contrapor o ponto de vista lacaniano mais corrente, que julgava que a psicose era condição para o transexualismo.

Baseando-se em seis biografias de pessoas transexuais, o pesquisador trabalhou quatro conceitos para explicar a condição de uma pessoa com esse perfil: o estágio do espelho; o verleugnung (do alemão, "renegação" ou "desmentido"); o semblante; e o sinthoma (com h).

Todos estão vinculados ao funcionamento comum da mente humana, não se relacionando com a noção de verwerfung - condição psicótica que, traduzida do alemão, significa "rejeição".

Formação do ego

O estágio do espelho está relacionado à formação inicial do ego da pessoa. Segundo Cossi, é nessa fase que a mente forma uma imagem antecipada do corpo, mesmo que não exista uma noção totalizante de como ele é.

No caso de transexuais, há momentos, no início da vida, em que a criança percebe que o tratamento que ela recebe do outro não é, sob o seu ponto de vista, coerente com o seu sexo.

Cirurgia transexual

Tratar o transexualismo como uma singularidade de cada pessoa, segundo a pesquisa é entender a personalidade de cada uma delas e fugir dos estereótipos.

Eles lidam bem com isso e sentem que não precisam fazer a cirurgia. Para muitos deles, sua redesignação civil, a mudança de nome, já lhes é suficiente, assim como o reconhecimento e o respeito do outro.

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