terça, 17 de julho de 2018

GOVERNO

Tombini no BC e Miriam Belchior no Planejamento fecham equipe econômica

24 NOV 2010Por ESTADÃO07h:43

Sem ter falado com o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a presidente eleita, Dilma Rousseff, escolheu nesta terça-feira, 23, para o comando do Banco Central (BC) o economista Alexandre Tombini, atual diretor de Normas da instituição. Também foi definido que Miriam Belchior, assessora especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assumirá o Ministério do Planejamento.

Depois das duas definições desta terça, Dilma decidiu anunciar na quarta-feira os três primeiros nomes da equipe econômica: além de Tombini e Miriam Belchior, que substituirá Paulo Bernardo, fará a confirmação oficial da escolha de Guido Mantega para a pasta da Fazenda. A presidente quis fazer o anúncio antes de participar ao lado de Lula, amanhã, em Georgetown (Guiana), da cúpula da Unasul (União de Nações Sul-americanas).

Histórico

Antes de se tornar funcionário de carreira do Banco Central, Tombini foi coordenador de análise internacional do Ministério da Fazenda e assessor especial da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Ele já havia sido cotado para a presidência do BC em março deste ano, quando Meirelles cogitou sair do banco para disputar as eleições de outubro passado.

Tombini serviu no governo FHC e Meirelles chegou ao BC no primeiro mandato do governo Lula, em 2003, depois de ser eleito o deputado federal mais votado pelo PSDB de Goiás.

O Estado antecipou em sua edição do dia 6 de novembro que Meirelles não ficaria no BC. No dia 12, Mantega também foi apresentado como o novo ministro da Fazenda.

Fator Mantega

A escolha de Tombini foi dada como certa no início da tarde de terça, depois de uma longa reunião da presidente Dilma com o ministro Mantega na Granja do Torto. Além da presença de Mantega reforçar a condição do ministro como chefe da equipe econômica da presidente eleita, Dilma fez a escolha do novo presidente do Banco Central sem ter feito a prometida reunião com Meirelles.

Dilma havia dito que anunciaria o ministério em blocos e que a equipe econômica seria a primeira a ser escolhida. Ao escolher Mantega, sem definir o futuro de Meirelles, o presidente do BC fez questão de, em conversas reservadas, avaliar que não aceitaria permanecer no cargo se a instituição perdesse a autonomia funcional que ele teve ao longo dos dois mandatos do presidente Lula (2003-2010).

Apesar de ter ficado irritada com as avaliações de Meirelles, Dilma mandou seus assessores da equipe de transição dizer que queria uma conversa, para esta semana, com o presidente do BC. Ficou claro, porém, que Meirelles não ficaria no comando do banco. Alguns assessores admitiam, porém, que ele poderia ser escolhido para um ministério que lhe desse projeção política e eleitoral. Nos bastidores, o próprio Meirelles disse a interlocutores na terça que aguardaria sua conversa com Dilma para avaliar a permanência no futuro governo em uma outra pasta.

Amigos próximos ouviram do presidente do Banco Central que ele deixa o cargo com o sentimento de ter feito um trabalho sólido durante os oito anos do governo Lula, comparando-se a "um bom jogador que deixa o campo em forma".

Cautela

A presidente eleita chegou a ser aconselhada a não criar nenhum padrão de confronto com Meirelles, evitando assim que houvesse uma rejeição política ao convite. Caso ela aprofundasse a polêmica em torno da autonomia do BC, isso poderia reforçar a ideia de que o substituto de Meirelles aceitaria o cargo e também uma tutela maior de Dilma e Mantega sobre a instituição.

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