Campo Grande - MS, sábado, 18 de agosto de 2018

CASO BRUNÃO

Todos os seguranças afirmam que não agrediram Christiano

5 MAI 2011Por EVELIN ARAUJO E GABRIEL MAYMONE19h:51

Durante o depoimento desta tarde, que durou cerca de 4h30min, das testemunhas de acusação ouvidas pelo promotor Douglas dos Santos, o juiz Aloízio Pereira e os cinco advogados de defesa de Christiano Luna de Almeida, acusado de matar Jefferson Bruno Escobar, o “Brunão”, os três seguranças afirmam que não agrediram o acusado em nenhum momento.

Segundo eles, tudo começou após Christiano passar a mão nas partes íntimas de um garçom e injuriá-lo, chamando- o por termo racista.
O garçom que foi tocado pelo acusado relatou que ficou uma semana afastado das funções após o fato. “Hoje eu tenho vergonha de entrar no local de trabalho e falarem: olha lá o garçom que passaram a mão”, relata.

Os seguranças declararam que Jefferson teria advertido verbalmente Christiano e voltado ao posto de trabalho. Em seguida, o acusado, que segundo as testemunhas estava visivelmente embriagado após consumir chopp e mais de três garrafas de vodca, foi até o segurança e ficou pedindo desculpas. “Ele estava visivelmente bêbado e até disse que se Brunão não o desculpasse, ele iria chorar”, disse um dos garçons do bar.

Neste momento, o chefe de segurança do local pediu para o acusado pagar a comanda, quando ele avançou e o segurou pelo terno. “Foi quando Brunão tentou imobilizá-lo pelas costas, com uma chave de braço.”Christiano conseguiu se desvencilhar e caiu ao chão, para fora da boate, como mostram as imagens. “O piso do deck é de madeira e como estava chuvoso no dia, estava molhado. Ele não foi empurrado, caiu sozinho”, disse o gerente da boate.

Christiano, já no chão, deu chutes em Brunão, quando mais três tentaram imobilizar o acusado.
A partir daí, o segurança ainda tenta impedi-lo de voltar para dentro da boate. Quando Brunão se afasta, Christiano volta a agredi-lo. “Ele estava agarrado no Brunão, agredindo, bravo mesmo e nervoso. Quando ele viu que o Brunão estava passando mal, ele vazou”, disse o chefe de segurança.

Depois da agressão, o acusado foi levado por um amigo para o condomínio onde mora. “Ele sabia que não podia mais se envolver em nenhum tipo de briga. Ele já tinha tido uma outra briga antes dessa, ele estava preocupado em ser preso. Ele dizia 'desculpe pela briga, irmão'”, disse o amigo.

O porteiro do condomínio de Christiano declarou que eles chegaram calmos ao local. “Após uma ligação, todos ficaram desesperados. Ele [Christiano] colocou a mão na cabeça, entrou e saiu correndo no condomínio”. Policiais da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe) verificaram a placa do carro do acusado e fizeram o flagrante próximo a casa dele. 

“Plantando bananeira”

Um dos sócio-proprietários da boate também foi arrolado como testemunha e disse que já tinha presenciado outras confusões de Christiano no local. “Uma vez eu mesmo vi ele plantando bananeira na frente da boate e outra vez ele estava tirando a camiseta para dançar”, disse o sócio, olhando várias vezes para o acusado. “Eu inclusive avisei ao segurança para prestar atenção ao que estava acontecendo”, relatou.

Quanto ao segurança, o proprietário disse que era um jovem bastante calmo, que ficava sempre perto do palco e era amigo dos artistas. “A nossa orientação é chegar e conversar com o cliente, se ele está bebendo demais ou agindo diferente”. Ele elogiou a empresa de seguranças e citou que é uma das melhores da cidade, citando que são os seguranças que vigiam shows de grande porte e a Expogrande, por exemplo. “A casa não admite comportamento agressivo de segurança. Quem apresenta este tipo de comportamento é afastado da função”, diz.

“Absurdo”

Otimista, Ricardo Trad, um dos cinco advogados de defesa de Christiano Luna, disse que “é um absurdo que seguranças com mais de 100 quilos não conseguissem imobilizar um rapaz de 75 quilos e 1,7 m”.
“Não deixo ele [Christiano] falar com a imprensa porque ele está sob liberdade provisória, não pode ficar respondendo pergunta de repórter”, declarou o advogado.

Testemunhas

Ao todo, quinze testemunhas e dois declarantes foram ouvidos. Eles foram arrolados pela promotoria para falar sobre o que presenciaram no dia da morte de Brunão e sobre a injúria que ele teria cometido contra um garçom da boate.  

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