Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

DENGUE

Tipo 4 chega ao Ceará e deixa toda a população vulnerável

5 ABR 2011Por O POVO ONLINE15h:45

Novo sorotipo é apontado pela Sesa como possível causa da explosão de casos da última semana. Já há casos confirmados no Interior e na Capital. Mas situação pode piorar, pois abril e maio são meses historicamente críticos

Até então restrito ao Norte brasileiro e aos estados de Pernambuco, Piauí, Bahia e Rio de Janeiro, o sorotipo 4 da dengue chegou ao Ceará. Comprovadamente, contaminou uma pessoa em Morada Nova, no Jaguaribe, e uma em Fortaleza, na área da SER VI - em Messejana, próximo aos bairros Jangurussu e Conjunto Palmeiras.

Mas o vírus não parou por aí. Pelo menos é esta a tese da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) para explicar a explosão de casos da doença no Ceará. Na última semana, foram 1.438 confirmações. Metade delas na Capital. Assim, o total de registros subiu para 8.308 em 2011, sem discriminação de tipo.

E a hipótese não é à toa. Até a semana passada, a Sesa reconhecia apenas os tipos 1 e 3 circulando no Estado. “Não tínhamos como evitar (a entrada do 4). Não tem ação preventiva que impeça. Se não fosse um sorotipo novo, não estaríamos com estes índices”, argumenta o titular da Sesa, Arruda Bastos.

Perigo

A entrada de um novo tipo de dengue no Ceará diferencia a epidemia deste ano das outras quatro vividas no Estado (em 1987, 1994, 2001 e 2008). A dengue existe por aqui desde 1986.

Agora, toda a população está vulnerável à contaminação. Basta dar espaço para o Aedes aegypti reproduzir-se no inofensivo vasinho de plantas com água que você tem na janela de casa. Isto justamente por conta do “ineditismo” do tipo 4.

Como nunca existiu em nenhum dos 184 municípios cearenses, não há quem seja imune ao vírus. Seja novo ou velho; rico ou pobre.

Atrelado a isto, têm-se a característica do tipo 1, que deixa as crianças de até 10 anos ainda mais suscetíveis por não circular no Ceará há 16 anos e, desde setembro do ano passado, ter retornado.

De acordo com o último boletim epidemiológico da Sesa, só a Capital teve 475 pessoas nesta faixa etária comprovadamente doentes de janeiro a março deste ano. O índice é bem próximo às 525 vítimas do mosquito com idade entre 21 e 30 anos. “De uma semana para outra, Fortaleza fugiu do controle. É quase certo de que é por conta do tipo 4”, argumenta Bastos.

O receio é da constatação de um surto epidêmico do novo tipo nos próximos boletins semanais, já que abril e maio são, historicamente os meses com o maior número de notificações e confirmações de dengue.

“E a situação de Fortaleza já é bem complicada”, resume o coordenador de proteção e promoção à saúde da Sesa, Manoel Fonsêca, complementado pelo secretário: “Como não se tem perspectiva de criarem uma vacina em menos quatro anos, o combate e prevenção têm que continuar”.


SAIBA MAIS

Qualquer sorotipo da dengue pode produzir formas graves, brandas e assintomáticas da doença. O que os diferencia é a abrangência. No caso do 4, por nunca ter circulado no Ceará, não há quem seja imune. Isto deixa os mais de 8 milhões de cearenses vulneráveis. Por isto, é preciso redobrar a atenção.

TIPOS DA DENGUE

São quatro as variações (sorotipos) do vírus da dengue: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4. Todas estão presentes no País. São transmitidos da mesma maneira (pela picada da fêmea do Aedes aegypti), produzem a mesma doença, têm sintomas idênticos e requerem os mesmos cuidados e tratamento.

A diferença é que a pessoa infectada pelo Denv-1, por exemplo, fica imunizada para este sorotipo, mas pode ter dengue novamente, se for infectada pelos outros três sorotipos. E, a cada nova infecção, aumentam as chances de o paciente desenvolver uma forma grave, caso a doença não seja identificada e tratada de maneira rápida e adequada.

Quando um sorotipo viral é introduzido em uma localidade, cuja população encontra-se susceptível ao mesmo, há a possibilidade de ocorrências de epidemias. Para que isso ocorra, basta a existência do mosquito vetor em altos índices de infestação predial e de condições ambientais que permitam o contato do vetor com a população.

Não existe nenhum medicamento específico contra a dengue. A conduta do médico para os tipos 1, 2, 3 e 4 é exatamente a mesma. Não precisa identificar em todas as pessoas qual o sorotipo do vírus. Mais importante é solicitar a contagem de plaquetas e o hemograma, para acompanhar a evolução do paciente e evitar agravamentos e mortes.

Para a população, a recomendação é procurar o serviço de saúde ao surgirem os primeiros sintomas da doença: febre, dor de cabeça, dores nas articulações e no fundo dos olhos.

 

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