Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Campo Grande - MS, domingo, 16 de dezembro de 2018

SEGURANÇA AGREDIDO E MORTO

Testemunha foi fundamental para mudar qualificação do crime

29 MAR 2011Por EVELIN ARAUJO10h:28

Os delegados responsáveis pelo flagrante e investigação de Christiano Luna de Almeida, de 23 anos, acusado de ter matado com um chute o segurança Jefferson Bruno Escobar, na madrugada do dia 19 de março deste ano, João Eduardo Davanço e Daniela Cades, alegam que um adolescente vendedor de bombons é a principal testemunha do crime, cuja qualificação foi mudada de lesão corporal seguida de morte para homicídio doloso. 

Em entrevista coletiva que aconteceu hoje pela manhã na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, os delegados explicaram a cronologia do crime e passos da investigação. 

Segundo o delegado da Depac João Davanço, os policiais foram acionados por volta de 1h20min do dia 19 de março para atender a ocorrência. Já no local do crime, foi constatada a morte de Jefferson Bruno Escobar. Christiano foi encontrado pela polícia militar perto de casa e levado para a Depac Centro. Ele confessou que agrediu o segurança da boate onde estava. "Ele foi autuado em flagrante delito por defesa da sociedade e preservação da ordem pública", alegou Davanço. 

 

Momento da morte

Após o flagrante, o caso foi passado para a delegada do primeiro distrito Daniela Cades.   "As demais testemunhas foram ouvidas para dar prosseguimento as investigações e, após análise das imagens segundo a segundo por perícia, foram detectados dois momentos de agressão", ela explica. 

Em uma primeira parte, as imagens mostram que Christiano é tirado da boate pelo segurança e impõe resistência, caindo no chão. A delegada explica que ele foi retirado da boate pós ser advertido duas vezes por "passar a mão" em um garçom. Ao cair, Christiano dá um chute na lateral esquerda do corpo de Jefferson, fraturando o quarto e quinto arcos costais, conforme o laudo da perícia. Também foram encontrados hematomas internos no pulmão esquerdo do segurança e foi descartada a possibilidade dele ter sofrido um enfarte ou um aneurisma cerebral. 

O segurança começa a passar mal, fato constatado pela polícia no momento em que ele apoia as mãos nos joelhos e fica com falta de ar. Jefferson desiste de tentar conter Christiano.

"Nesta segunda parte, o segurança e Christiano saem do foco da câmera e o testemunho do adolescente é fundamental para esclarecer os fatos"

A delegada diz que a segunda parte das agressões foi fundamental para qualificar o crime como homicídio doloso. "Nesta segunda parte, o segurança e Christiano saem do foco da câmera e o testemunho do adolescente é fundamental para esclarecer os fatos", ela explica.

Segundo a delegada, o adolescente disse em depoimento que Jefferson falou que estava passando mal e, mesmo assim, Christiano continuou a agredí-lo. "Ele disse claramente que não se importava com o fato e continuou a bater no segurança. São 24 segundos de agressões e esses fatos que mudaram a indicação de lesão corporal seguida de morte para homicídio doloso", diz a delegada. Jefferson morreu por insuficiência respiratória aguda.

Amigos de Christiano relataram em depoimento que ele foi segurado e agredido por seis seguranças, o que não é comprovado pelo laudo pericial, segundo Daniela Cades. "No laudo consta apenas uma escoriação avermelhada de 10 a 15 centímetros no braço esquerdo". 

 

Perfil de brigas

A delegada falou ainda sobre outros relatos de testemunhas sobre o comportamento "rebelde" de Christiano. "Em 2005 ele foi suspenso da universidade por uma briga e, em 2009, foi indiciado por lesão corporal grave a Rafael Mecchi, de 22 anos, em um show no Parque de Exposições. Ele responde pelo caso na 5ª Delegacia de Polícia", ela detalha. 

Também foi ouvido um professor de jiu-jítsu, arte praticada por Christiano. "Ele viu as imagens e garante que aquele não é um golpe deste tipo de luta, praticada por 8 anos pelo Christiano, que é faixa roxa", diz Davanço.  

No entanto, isso não atenuou a qualificação do crime. Se fosse condenado por lesão corporal seguida de morte ele poderia pegar de 4 a 12 anos. Indiciado por homicídio doloso, ele poderá pegar de 6 a 20 anos de reclusão. 

 

Família

"Ontem foi a nossa primeira vitória"

A prima de Jefferson e bacharel em direito Mayara Gonçalves, de 23 anos, diz que a família está satisfeita com a mudança de qualificação. "Isso aumenta o tempo de reclusão de quem fez isso com o meu primo, que morava apenas com a minha avó de 72 anos". Ela explica que a avó se recusa a assistir televisão desde a morte do neto. "Ela diz que as imagens passam o tempo todo e ela não quer mais ver. Depois de ontem, quando foi mudada a qualificação de lesão corporal para homicídio, ela disse que poderia dormir tranquila", disse Mayara.

 

Ela também revelou que a família pretende fazer uma passeata todo dia 19 até a condenação de Christiano. "Ontem foi a nossa primeira vitória". 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também