Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

POLÊMICA

'Tesouro' de operador tem valor irrisório

19 OUT 2010Por Silvia Tada01h:45



O “tesouro” encontrado pelo operador de empilhadeira César Siqueira de Assis, formado por moedas e cédulas antigas, nacionais e estrangeiras, não teria valor para os colecionadores desse tipo de material, os denominados numismatas. Apesar de serem bastante antigas, algumas datadas do século XVI, o tempo e a forma de armazenamento corroeram o material, que deixou de ter valor para quem tem como hobby colecionar esse tipo de peça.
Ontem, o numismata José Rodrigues Pinto, de 72 anos, há 50 colecionador de moedas, que tem cerca de 3,5 mil peças, foi até a casa de César Siqueira para verificar o “tesouro”, encontrado enterrado no terreno de sua residência, no Jardim Columbia. “Infelizmente, em Mato Grosso do Sul, ainda não há mercado para esse tipo de material”, analisou. “Das mais de 8 mil moedas, há muitas referentes a 1942 a 1967, quando circulou no Brasil o cruzeiro e de 1970 para cá. Essas peças são comuns e é possível encontrá-las em bom estado de conservação”, relatou.
Questionado sobre alguma pista que levaria ao autor da coleção, José Rodrigues ressaltou que nem todas as moedas são antigas. “Encontramos uma moeda de Euro, que começou a circular na Europa em 2002. Então, o antigo dono enterrou tudo há pouco tempo”. Conforme lembrou, seu pai contava que era comum a população mais antiga enterrar o dinheiro, quando não havia o costume de depositar nos bancos.
As moedas estrangeiras, cerca de 20, também estão bastante deterioradas. O maior problema é que as peças estavam em um latão, enterrado, e a umidade, o tempo e o atrito entre elas provocaram “machucados” nas peças. “Para os colecionadores, as moedas devem estar perfeitas, sempre aos pares, mostrando o anverso e o reverso, popularmente conhecidos como cara e coroa”, detalhou o colecionador.

Sonho
Para César Siqueira de Assis, as explicações de José Rodrigues foram “o fim de um sonho”. “Fiquei decepcionado. Queria vender e, quem sabe, ter um dinheirinho, mas parece que do jeito que está, não vale muita coisa”, lamentou o trabalhador.
Ele ainda não definiu o que fará com tantas moedas. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitou, na semana passada, que César levasse o material para ser analisado, sob o risco de perder as peças mais antigas, pois pertenceriam à União. “Se não tiver jeito, vou ter de entregar tudo”, disse.

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