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mulheres

Terapia hormonal e reposição hormonal

30 MAI 2011Por ig22h:30

Os nomes podem ser parecidos, mas os mecanismos são absolutamente opostos. Enquanto a terapia hormonal bloqueia a ação de alguns hormônios femininos, a reposição hormonal aumenta a presença deles no organismo da mulher.

O primeiro serve para combater determinados tipos de tumores, entre eles uma variação menos agressiva do câncer de mama. Já a reposição serve para controlar sintomas exacerbados da menopausa, como fogachos e perda de libido.

Além dos nomes parecidos, a faixa etária das mulheres expostas aos tratamentos costuma ser semelhante. A maioria tem mais de 40 anos. Por isso, é possível que os médicos encontrem pacientes oncológicas que estejam fazendo reposição hormonal.

“O primeiro passo é suspender o tratamento”, orienta o oncologista Ricardo Caponero, presidente da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos. Os dois tratamentos não podem ser realizados simultaneamente. “Um anularia o outro”, justifica o especialista.

Com a reposição suspensa, a mulher provavelmente voltaria a sentir os sintomas da menopausa e até com maior intensidade, devido ao início do combate ao câncer. “É algo ruim. Mas entre fogachos e câncer, é claro que é mais importante combater o câncer”, pondera o médico.

Nem por isso os sintomas da menopausa ficariam de fora. Existem medicamentos e outras estratégias capazes de tratar qualquer sintoma da menopausa sem interferir na hormonioterapia. “Eles não são tão eficazes quanto a reposição hormonal, mas funcionam”, afirma Caponero.

Edilson da Costa Ogeda, ginecologista e diretor da maternidade do Hospital Samaritano, sugere o uso de produtos fitoterápicos. "Eles conseguem aliviar fogachos e até aumentam a libido", afirma o médico, que também é consultor da clínica CordCell.

Mesmo quando o tratamento contra o câncer já foi finalizado, a reposição hormonal não deve ser retomada. Existe uma discussão controversa e acalorada entre pesquisadores que debatem a possibilidade da reposição hormonal aumentar o risco de tumores na mama.

O debate começou em 2002, quando uma pesquisa conhecida como Women´s Health Initiative foi publicada no Journal of the American Medical Association. O trabalho teve 27 mil voluntárias americanas e chegou à conclusão de que o tratamento com hormônios aumentava os riscos de eventos como câncer de mama, infarto e AVC.

Contudo, diversas entidades médicas questionam as condições em que a pesquisa foi conduzida. Entre os pontos de discórdia está a dose elevada de hormônio dada às mulheres, além do início supostamente precoce do tratamento.

De qualquer forma, quando a mulher terminar a terapia hormonal contra tumor de mama ela provavelmente já estará livre dos sintomas da menopausa. Isso por que a terapia hormonal costuma ser mais longa que outros tratamentos, ela comumente dura mais que cinco anos.

Os sintomas da menopausa costumam durar poucos meses e estão ligados ao início da menopausa, quando o organismo feminino está ainda se adaptando às transformações hormonais que marcam o fim do período fértil.

Depois da menopausa

Apesar do câncer apresentar esse conflito entre tratamentos opostos quando surge após a menopausa, o índice de cura é maior quando a terapia hormonal é feita neste período. “Ele chega a 60%, enquanto a fase pré-menopausa tem 40%”, compara o oncologista. “As mulheres na menopausa são mais sensíveis ao tratamento hormonal”, explica.

Apesar disso, nem sempre a terapia hormonal pode ser aplicada. Ela é eficaz apenas quanto o tumor expressa sensibilidade a um determinado receptor hormonal. “Existe uma forma de testar isso antes de iniciar o tratamento”, conta o médico.

Mesmo tendo a confirmação da sensibilidade pelo teste, algumas pacientes precisam combinar a hormônio terapia com outros tratamentos, como a quimioterapia. A decisão depende de muitos fatores, como o estágio do tumor e as condições de saúde da mulher. É uma avaliação médica muito individualizada.

Já no caso da reposição hormonal, ela é contraindicada por mulheres com doenças no fígado, problemas cardiovasculares ou após muitos anos da menopausa sem tratamento hormonal prévio. "Além disso, a reposição não deve ser realizada quando a mulher tem câncer de mama ou de ovário ou está em tratamento contra eles", afirma Costa Ogeda.

Tratamento preventivo

Mesmo antes de qualquer tumor dar sinal, a mulher pode adotar a terapia hormonal de forma preventiva contra o câncer de mama. “Isso é feito em grupos de risco. São considerados vários fatores como histórico familiar, número de filhos e idade da primeira menstruação”, explica a oncologista.

Nestas situações, a reposição hormonal também fica contraindicada e, caso a mulher tenha sintomas da menopausa, terá de tratar de outra forma.

Para identificar o contexto de risco aumentado, é preciso acompanhamento médico. Um dos exames mais indicados, eficaz no diagnóstico precoce do câncer de mama, é a mamografia. Ela deve ser realizada a partir dos 35 anos, mas pode ser feita antes.

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