sexta, 20 de julho de 2018

Tensão entre Rússia e EUA pode beneficiar a carne brasileira

23 SET 2008Por 12h:30
     
        
        A tensão política crescente entre Rússia e Estados Unidos pode ajudar a ampliar as exportações de carne do Brasil. O conflito, que afeta as negociações para a entrada da Rússia na OMC (Organização Mundial do Comércio), levou Moscou a ameaçar rever acordos em vigor com os EUA.
        
        Com isso, o Brasil poderá ganhar cotas tarifárias de exportação que hoje cabem aos produtores americanos, aumentando sua fatia no mercado russo, que já é o principal destino da carne brasileira bovina e suína no exterior.
        
        Nos seis primeiros meses deste ano, os russos compraram pouco mais de US$ 1 bilhão em carne bovina brasileira, quase um terço do total das exportações do produto. No caso da carne suína a participação da Rússia é ainda maior, com 43% das vendas do Brasil para o mercado mundial. Poderia ser ainda melhor, voltando ao patamar de 2003, quando chegou a 63%, afirma Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína).
        
        Segundo ele, o Brasil foi prejudicado quando negociou o acordo bilateral para a entrada da Rússia na OMC, pois as cotas maiores de carne já haviam sido concedidas a EUA e UE. Camargo Neto diz que é hora de o governo brasileiro cobrar benefícios da parceria que o Itamaraty afirma ter com a Rússia como parte do chamado Bric (grupo de países emergentes que inclui ainda China e Índia).
        
        ``Não tem sentido ser punido por privilégios oferecidos aos EUA e à UE``, afirma Camargo Neto. ``Precisamos saber se essa história de Bric é para valer. É a hora de a Rússia mostrar que o Brasil é parceiro e de o Brasil não fazer papel de bobo.``
        O acordo em vigor, fechado em 2005, dá preferência a EUA e União Européia. Com a deterioração das relações entre Rússia e EUA, há a expectativa de que o governo brasileiro pressione para que o acordo, que expira em 2009, seja renegociado com bases melhores.
        
        Com informações da FSP
        
        
        

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