sábado, 21 de julho de 2018

Temor de nova alta no IOF derruba Bolsa de São Paulo

22 OUT 2010Por Rosangela Dolis, Silvana Rocha e Denise Abarca (AE)04h:25



Receios de que o aumento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre ingresso de capital externo, já adotado na renda fixa, possa ser estendido às aplicações em ações, e rumores de que no empenho para valorizar o dólar o governo possa apelar até mesmo para uma quarentena para recursos estrangeiros, viraram a Bovespa para o negativo à tarde. Temores de tais medidas estimularam saídas de capital externo da Bolsa brasileira, principalmente com vendas de Petrobras e Vale, ações mais líquidas do índice.
Petrobras ON caiu 2,98% e PN, 3,32%, enquanto Vale ON cedeu 1,61% e PNA, 1,97%. A Bovespa fechou em queda de 1,07%, aos 69.652,10 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 7,323 bilhões, ante R$ 6,681 bilhões ontem
Papéis de construtoras, que tradicionalmente têm lugar de destaque em carteiras de estrangeiros, também sofreram com a saída desses recursos: Rossi ON cedeu 3,16%; Brookfield, 3,02%; Gafisa ON, 1,43% e MRV ON, 1,24%.
A atuação do governo no mercado de derivativos debilitou ainda, e pelo terceiro dia, as ações da BM&FBovespa, que cederam 3,20% e figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa. Anteontem, o CMN e o BC fecharam as brechas que ainda podiam ser usadas pelos investidores estrangeiros para evitar o aumento da alíquota IOF. As resoluções editadas quarta-feira pelo Governo terão impacto nos volumes negociados na Bolsa, que só poderá ser medido dentro de 15 a 20 dias, segundo disse o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.
As ações da Petrobras e Vale, que juntas respondem por 26% do desempenho do Ibovespa, foram prejudicadas também pelo enfraquecimento do preço das commodities, provocado pela desaceleração do ritmo do crescimento do PIB chinês.
O fator eleição também desfavoreceu a Bovespa hoje, com pressão sobre ações de estatais. Papéis da Petrobras e de empresas do setor de energia elétrica e do Banco do Brasil foram afetados pela ascensão de Dilma Rousseff (PT) nas últimas pesquisas eleitorais. Na semana passada, essas ações haviam subido em razão de José Serra (PSDB), ter avançado nas pesquisas. Cesp PNB caiu 1,39%, Eletrobras PNB, 3,92%, e Eletrobras ON, 3,93%. Já BB ON cedeu 2,56%. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,35%; o Nasdaq, 0,09%; e o S&P500, 0,18%.

Câmbio
No fechamento, o dólar no balcão subiu 1,19%, a R$ 1,6950. Na BM&F, o pronto encerrou na máxima da sessão, cotado a R$ 1,6965, alta de 1,33%. No mercado futuro às 16h57min, o dólar para novembro/2010 avançava 1,13%, para R$ 1,6990. O giro financeiro total à vista somava cerca de US$ 2,507 bilhões. Nos dois leilões hoje, o Banco Central comprou dólares com taxas de corte de R$ 1,6865 e R$ 1,6978.

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