Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

Teixeira é citado em escândalo sobre mercado negro de ingressos

7 JUN 2011Por terra07h:00

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve seu nome envolvido em mais um escândalo - desta vez, relacionado ao mercado negro de ingressos. O jornal norueguês Dagbladet divulgou nesta segunda-feira que o dirigente brasileiro se reuniu no fim de 2009, na África do Sul, com um representante da Euroteam, empresa que revende entradas para eventos esportivos e culturais.

A companhia atua como uma espécie de cambista: compra ingressos e os revende a preços superiores. A Euroteam, inclusive, já foi acusada de adquirir entradas por meio de membros da Fifa, que as conseguem sem qualquer custo.

Além de Teixeira, o presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leóz, também esteve com um representante da empresa norueguesa. Os dois fazem parte do Comitê Executivo da Fifa. De acordo com o Dagbladet, o funcionário da Euroteam deixou claro para ambos o que fazia e quais eram suas intenções.

Este teria sido o primeiro encontro do representante com Teixeira. Leóz já o conhecia de outra oportunidade.

A Euroteam foi apontada pela Fifa como sua principal inimiga no mercado de ingressos. Leóz, no entanto, demonstrou ter relação cordial com a companhia, segundo diálogo publicado pelo jornal.

"Ingressos?", perguntou o mandatário da Conmebol ao receber um convite do representante da empresa para um almoço.

O Dagbladet entrou em contato com a Euroteam para saber o propósito dos encontros. Perguntado se os dirigentes venderam ingressos, o representante da empresa disse que não comentaria e riu.

Procurados pelo diário norueguês, Ricardo Teixeira e seu assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, não quiseram explicar o motivo do encontro com a Euroteam. Fifa e Leóz também não comentaram o assunto.

Escândalo em 2009

Em janeiro do ano passado, o mesmo Dagbladet publicou que o presidente da Concacaf, Jack Warner, fez negócios com a Euroteam em 2009. O dirigente pediu ingressos da Copa do Mundo à Fifa e os repassou para a empresa, em troca de parte dos lucros. No entanto, ele nunca foi pago.

O caso chegou a ser investigado pela Fifa. Durante reunião do Comitê de Ética da entidade, na mesma época da denúncia, a relação entre Warner e Euroteam foi debatida, mas não houve qualquer punição.

Mais denúncias

Ricardo Teixeira foi citado em outros escândalos recentemente. O canal de televisão inglês BBC divulgou no ano passado que o brasileiro recebeu suborno da extinta empresa de marketing ISL para apoiá-la na negociação de direitos de TV da Copa do Mundo.

A mesma emissora também afirmou que Teixeira chegou a admitir à Justiça suíça que recebeu, mas devolveu o dinheiro da ISL. A Fifa está sendo pressionada para divulgar os documentos que comprovam este e outros casos de suborno.

Em maio, David Triesman, ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA), acusou Teixeira de ter pedido propina em troca de seu voto na eleição para escolha da sede do Mundial de 2018. O brasileiro, através da CBF, negou o caso. A Fifa também inocentou o dirigente da acusação.

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