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Tecnologia 3D ajuda a salvar vítimas de câncer de mama

14 ABR 2011Por terra05h:14

A tecnologia está trabalhando para diminuir a mortalidade de mulheres pelo câncer de mama. O uso da tecnologia 3D para detectar a doença poderá ser a chave para salvar muitas vidas. No Hospital Geral de Massachussets, em Boston, nos Estados Unidos, são usadas imagens precisas em três dimensões que, segundo os médicos, ajudam a detectar a doença mais cedo que os métodos tradicionais de exame.

A imagem tradicional de mamografia utilizada atualmente é nublada e com pouquíssimos detalhes, o que pode esconder algumas informações muito importantes clinicamente. Já a mamografia em 3D, ou Tomosynthesis, é feita através de raio-x, e por enquanto é usada somente no hospital americano, apesar de muitas pesquisas sobre a tecnologia estarem em curso nos Estados Unidos.

Na Tomosynthesis, os seios são comprimidos enquanto o tubo de raio-x se move em uma determinada região das mamas. Depois, as imagens são ampliadas e com a ajuda de um óculos especial é possível visualizar com profundidade os mamogramas. Enxergam-se detalhes mínimos e com precisão. O sistema é usado desde o início de março no hospital.

As imagens coletadas pelo raio-x são exibidas em uma série de exposições de vários ângulos. As exposições à radiação são uma fração da dose usada por uma exposição mamográfica convencional, fazendo com que a dose total de radiação seja similar ao da técnica tradicional.

Usandos computadores, os dados são processados juntamente com um conjunto múltiplo de informações, cálculos e imagens. Com esses dados, a imagem é reconstruída em 3D. Com isso, os radiologistas podem observar os mínimos detalhes do tecido mamário, as mamas individualmente e analisar qualquer área das mamas com profundidade.

"Nós vemos essas áreas de uma forma dinâmica e sem a sobreposição de tecidos que ocorrem em um mamograma 2D convencional. Facilita muito também a detecção de tumores pelos radiologistas. Eles veem melhor o tamanho, a forma e o local preciso de uma anormalidade", disse Elizabeth Rafferty, diretora de imagens de mama do hospital e pesquisadora do assunto.

Elizabeth também revelou que as pacientes que passaram por tomadas de imagem com o Tomosynthesis tiveram um nível muito menor de ansiedade. "Nós podemos reduzir o número de mamografias e as pacientes precisam voltar o tempo todo. Quando elas têm de voltar para mais mamografias, elas se preocupam com os resultados em potencial de um segundo exame e também com o impacto financeiro que pode causar, já que elas têm que sair do trabalho para consultar", diz a médica.

Segundo Elizabeth, na maioria das vezes só é necessário um exame com a mamografia em 3D porque é eliminada a necessidade de raios-x adicionais. Além disso, estudos dizem que a necessidade de retorno com a Tomosynthesis diminui de 38% a 70%.

A Tomosynthesis, no entanto, é um complemento para a mamografia tradicional, já que ela é feita simultaneamente no mesmo dispositivo de imagem. Com a mesma compressão para a realização dos dois exames, a paciente não nota nenhuma diferença na mamografia.

Os radiologistas que analisam a mamografia em 3D devem ter treinamento clínico supervisionado nos Estados Unidos. Esse treinamento inclui estudo de casos e revisão. Depois, durante a realização de um exame, os radiologistas revisam cerca de 50 imagens para elaborar um diagnóstico. "As pacientes de alto risco ficam felizes porque os radiologistas têm muita informação clínica e reportam paz de espírito", disse Elizabeth.

O Food and Drug Admistration (FDA), agência que regula produtos relacionados à saúde nos Estados Unidos, alerta que a dose de radiação é um pouco perigosa, mas Elizabeth diz que os níveis estão dentro do exigido pela agência e que os benefícios compensam.

Apesar do alerta do FDA, a agência autorizou o uso do sistema em fevereiro deste ano. O equipamento é fabricado pela Hologic, uma empresa de Massachussets especialista em dispositivos tecnológicos para a saúde das mulheres. O sistema levou seis anos para ser desenvolvido. Ele já está instalado também em hospitais no México e no Canadá.

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