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Tarso Genro debate liberação da maconha

7 ABR 2011Por ESTADÃO00h:00

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), acredita que a sociedade poderia ser mais tolerante com o uso de determinados tipos de drogas, mas em circunstâncias diferentes das atuais e somente depois de estudos que avaliassem as consequências de uma eventual liberação. A posição foi manifestada ontem durante a resposta à pergunta de um estudante, depois de uma aula magna na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O tema da palestra era "Universidade e o futuro da República".

Inicialmente, Tarso ressalvou que não defende a descriminalização do uso de drogas, mas admitiu a hipótese de alguma liberalidade mediante determinadas circunstâncias. "Se a gente pudesse regular a questão da droga de forma que ela não fosse um componente econômico dessa decadência civilizatória, vamos chamar assim, eu não vejo problema de que ela pudesse ser liberada em circunstâncias muito concretas, específicas, respeitando evidentemente a opção que os indivíduos teriam para utilizar ou não esses estímulos", argumentou. "Agora, na situação atual, a questão da legalização não ajudaria a combater essa circulação, essa transformação da droga em dinheiro, do dinheiro em droga, de droga em poder, de poder em política e assim por diante".

Segundo Tarso, uma eventual liberalidade da sociedade com o tema dependeria também de estudos dos efeitos de cada droga. "Eu acho que, por exemplo, as pessoas terem tolerância com a cannabis sativa é diferente do que com a heroína. A maconha, muitos especialistas dizem que faz menos mal que o cigarro. É o que dizem. Eu nunca vi alguém matar por ter fumado um cigarro de maconha", comentou o governador. "Eu acho que tem que fazer uma distinção científica sobre o que é comprometedor efetivamente da saúde e da sanidade mental, para trabalhar essa questão de maneira equilibrada. Eu vejo dessa forma, não tenho nenhum preconceito".

Durante seus comentários, Tarso também reconheceu que sua geração teve desejo de consumir droga. "Na minha época, a gente não fumava maconha não por não ter vontade, mas porque as condições de segurança em que a gente vivia, na clandestinidade, adicionavam mais uma questão de insegurança que é a maconha, apenas por isso", narrou. "Mas dizem que é muito saboroso".



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