Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

SUCROALCOOLEIRO

Subsídio ao etanol nos EUA livra mundo de crise agrícola

16 DEZ 2010Por Edivaldo Bitencourt00h:00

A manutenção dos subsídios aos produtores de etanol de milho por mais um ano nos Estados Unidos livrará a agricultura mundial de uma crise histórica, apesar da pressão das usinas brasileiras pela abertura do mercado norte-americano ao álcool nacional. Por outro lado, a redução no prazo, de cinco para um ano na manutenção do incentivo, abre perspectiva de mais investimento do setor sucroalcooleiro em Mato Grosso do Sul, além dos R$ 8 bilhões na implantação de mais 20 usinas.

Para a analista chefe da equipe de grãos da Rural Business, Tânia Tozzi, a não renovação dos subsídios dos EUA ao etanol do milho poderia causar uma das maiores crises agrícolas da história. Na sua avaliação, o mundo não tem condições de absorver os 121,9 milhões de toneladas de milho usadas na produção do etanol americano. O montante é equivalente ao total do grão produzido pela Europa, Argentina e Brasil juntos. A safra de milho brasileira é a 5ª maior do mundo, enquanto os EUA possuem a maior, com 318,5 milhões de toneladas.

A abertura do mercado dos EUA ao etanol brasileiro, segundo Tânia Tozzi, causaria queda excessiva nos preços dos grãos e uma grande produção das commodities, incluindo-se a soja. Os produtores ficariam descapitalizados em todo o mundo.

Os Estados Unidos vão manter por mais 12 meses a taxa de importação em R$ 0,54 por galão de etanol e de R$ 0,45 por galão do produto misturado à gasolina. No entanto, apesar do alerta, Tânia acredita que o cenário pode mudar quando a China começar a importar milho. O gigante asiático, por enquanto, é autossuficiente na produção do grão. O momento ideal para a abertura do mercado será quando os chineses começarem a comprar o produto e a indústria norte-americana não atender a demanda local de etanol.

Tânia Tozzi prevê que o mercado sucroalcooleiro nacional viverá o grande boom em cinco anos. Mato Grosso do Sul, que conta com 21 usinas e gera 44 mil empregos, deverá receber investimentos robustos com a abertura do mercado norte-americano. O presidente da Associação dos Produtores de Bionergia (Biosul), Roberto Hollanda, ressalta que o crescimento do setor será com "mais vigor". No entanto, ele não arrisca percentual.

Boa perspectiva
Hollanda considerou grande avanço a prorrogação do subsídio ao etanol do milho por apenas um ano, contra a proposta inicial de cinco anos. O dirigente rebate as análises pessismistas sobre o impacto da medida. "Não tem como analisar o efeito", disse, destacando que a cotação do milho e dos alimentos tiveram aumento, há dois anos, em decorrência da utilização do grão na produção de combustível.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) está acompanhando a discussão pelo Congresso dos EUA e só vai se manifestar após a conclusão da votação pelos parlamentares.

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