Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

Soja Louca

Soja desafia pesquisadores

19 DEZ 2010Por Camila Moreira (AE)04h:55

Dois problemas que afetam a produtividade das lavouras de soja no Brasil têm desafiado os pesquisadores atualmente - um novo tipo de anomalia conhecido como Soja Louca II e a resistência das chamadas super ervas daninhas aos produtos utilizados em associação com o glifosato, um dos herbicidas mais utilizados no mundo. Em casos mais extremos, ambos podem provocar perdas de cerca de 50% da produção.

A Soja Louca II vem sendo tratada como uma anomalia, mas sua causa ainda é desconhecida. Quando ocorre, a planta não amadurece e registra alto índice de abortamento de flores e vagens. Em outros anos foram registradas ocorrências no final do ciclo de desenvolvimento da soja, mas nesta safra ela surgiu mais cedo, no começo da fase vegetativa, e preocupa principalmente em áreas mais quentes, com casos no Maranhão, Tocantins, Pará e norte do Mato Grosso, o principal Estado produtor.

"Normalmente é nas folhas mais novas que ocorrem os sintomas mais fortes. Elas ficam deformadas, as flores caem, não vingam e não produzem vagens. Isso nos ajuda a entender o problema, porque aparentemente a anomalia se instala na parte mais nova da planta", explicou à reportagem Mauricio Meyer, pesquisador da Embrapa Soja, que coordena as pesquisas sobre a doença.

De acordo com Meyer, o problema da Soja Louca II vem aumentando de forma gradual e consistente desde a safra 2005/06, mas foi neste ano que começou a ficar mais preocupante. Em parceria com outras instituições de pesquisa e cooperativas, a Embrapa montou unidades de observação e um questionário para tentar entender o momento e a situação em que a anomalia aparece, os sintomas e o histórico da área, como por exemplo algum manejo ou procedimento que estaria favorecendo o surgimento do problema.

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