Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

Sob risco de ataque, Artuzi é transferido para o Garras

25 SET 2010Por 09h:27

Fernanda Brigatti e Maria Matheus

O prefeito Ari Artuzi (sem partido) foi transferido secretamente na noite de quinta-feira (23) do 3º Distrito Policial de Campo Grande, por medidas de segurança, para a delegacia do Garras (Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros). A mudança foi necessária porque informes da polícia relataram a armação de um possível ataque ao 3º DP, cujo efetivo, no plantão, é de dois policiais. O prefeito teria sido ameaçado de morte.
Além da segurança de Artuzi em risco, a transferência também foi necessária para normalizar o funcionamento do 3º DP, segundo o secretário de Estado de Justiça e de Segurança Pública, Wantuir Jacini. “O efetivo da delegacia estava todo empregado na segurança do prefeito. Em compensação, as investigações e inquéritos estavam sofrendo prejuízos, porque ele estava há 23 dias lá”, explicou.
Agora, com a saída de Artuzi, o contingente da delegacia voltará a fazer diligências de inquéritos em andamento, mas que ficaram parados no período. Na avaliação de Jacini, as informações levantadas pelos policiais sobre ameaças a Artuzi não tinham consistência. Mesmo considerando inverossímel a notícia de possíveis ataques à delegacia, por precaução, ele decidiu transferir o prefeito e determinar a investigação de eventuais planos de matá-lo.
Ari Artuzi foi preso pela Polícia Federal, em Dourados, em 1º de Setembro. No mesmo dia foi transferido para a Capital, também como medida de segurança. Ele é um dos 60 indiciados pela PF em decorrência da Operação Uragano, que desmontou um esquema de pagamento de propina e fraude em licitações, que envolvia vereadores, empreiteiros, secretários municipais e servidores.

Liberdade
A defesa de Ari Artuzi ingressou ontem com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar tirá-lo da cadeia, assim como a primeira-dama de Dourados, Maria Aparecida de Freitas. O advogado Carlos Marques considera “absurdo” a Justiça manter seu cliente atrás das grades, mesmo depois de decidir afastá-lo do cargo e de decretar o sequestro de seus bens. Marques suspeita de um movimento para forçar o prefeito a renunciar ao mandato.
O Tribunal de Justiça só julgaria em outubro o pedido da defesa para libertar o prefeito afastado. “Não tem motivos para mantê-los presos. Eles já foram denunciados, todas as provas foram colhidas, ele foi afastado da função, teve sequestro dos bens, o que mais eles querem?”, questionou o advogado. “Querem que as meninas fiquem sem pai e sem mãe! Isso é totalmente sem sentido, sem noção!”, criticou.
O advogado comentou que o Ministério Público propôs a advogados de outros réus o benefício da delação premiada, mas com a condição de renunciarem o mandato.  “Não sei se chega a ser uma manobra (para forçá-lo a renunciar), mas é no mínimo estranho (manter Artuzi na cadeia)”, comentou. Segundo o advogado, o MP não propôs a Artuzi a renúncia. O prefeito afastado descarta a possibilidade de renunciar.
A expectativa é que o STJ julgue o habeas corpus até quarta-feira, três dias antes das eleições. Artuzi só concederá entrevista à imprensa depois de deixar a cadeia.

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