quinta, 19 de julho de 2018

SISTEMA FINANCEIRO

Silvio Santos dá garantias para cobrir rombo em banco

11 NOV 2010Por Altamiro Silva Júnior, (AE)00h:00

A operação de socorro ao Banco Panamericano, de R$ 2,5 bilhões, foi a maior já feita pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a um banco em operação. Em 1995, o fundo fez aporte de US$ 3 bilhões no Bamerindus, mas o banco já havia sofrido intervenção do Banco Central. "Fizemos isso para preservar o banco e evitar um efeito perverso no sistema financeiro", diz o presidente do conselho do FGC, Gabriel Jorge Ferreira.

No caso do Panamericano, a operação foi inédita, pois contou com garantias das empresas de Silvio Santos que podem ser executadas. No caso do Bamerindus, o FGC não recebeu nenhum centavo de volta do dinheiro que aportou. Como tem essas garantias dadas pelas companhias do empresário, Ferreira diz que o fundo espera receber tudo o que aportou de volta. Na falta de pagamento, o fundo tem a opção de executar essas garantias, vendendo ativos ao mercado.

O Banco Santos foi o último banco que contou com injeção de dinheiro do FGC, mas em escala bem menor que o Panamericano. Em 2004, quando o banco de Edemar Cid Ferreira sofreu intervenção do BC, foram colocados R$ 16 milhões.

O FGC foi criado no meio da crise do México em 1995, para resgatar bancos problemáticos. Em meio aos problemas de solvência de bancos como Bamerindus e Nacional, o governo sentiu necessidade de criar um mecanismo de garantias de depósitos e trazer maior tranquilidade ao sistema financeiro.

O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos e que recebe contribuições obrigatórias de todos as instituições financeiras que operam no País. "Não há dinheiro público", diz Ferreira. O fundo tem patrimônio de R$ 28 bilhões, equivalente a 3% do passivo do sistema no Brasil. Nos Estados Unidos, o FDIC, como é chamado o fundo garantidor lá, tem atuação bem diferente e é mantido apenas com dinheiro do governo. 

Vazamento
O diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno de Camargo Silva, conta que foram cerca de 20 dias de negociações. Ao todo, dez executivos do FGC participaram das reuniões. "Não houve risco de vazamento de informações, pois todos trabalham em sigilo", disse Bueno ao ser questionado sobre a queda das ações do Panamericano, que começaram já na segunda-feira.

Ontem, as ações do banco caíram 29,54% e estiveram entre as mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que tenha tratado com o empresário Sílvio Santos a liberação de R$ 2,5 bilhões para cobrir o rombo no banco Panamericano. "Isso não é assunto de presidente da República. É assunto comercial do Banco Central", afirmou.

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