Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Saúde

Sexualidade em baixa

10 DEZ 2010Por SCHEILA CANTO00h:00

Entre março e setembro de 2010, a Sociedade Brasileira de Urologia, com o apoio da Eli Lilly do Brasil, visitou 22 cidades com a caravana do Movimento pela Saúde Masculina. No total, foram quase 10 mil atendidos e com base nesse levantamento, a SBU atualizou os dados sobre a disfunção erétil no Brasil. O levantamento feito em Campo Grande confirmou o mesmo número da média nacional, apontando que 44% dos homens da Capital sofrem da DE, maioria deles entre 46 e 60 anos. Outras queixas masculinas foram ejaculação precoce (36%), redução do desejo sexual (24%) e da dificuldade de orgasmo (14%).

 O comportamento masculino com relação à sexualidade tem sofrido grandes transformações desde a década de 80, quando foi lançada a “pílula azul” que deu a eles mais oportunidades de sexo com qualidade. Mas, ainda hoje, mesmo os brasileiros contando com opções da medicina para o tratamento oral da disfunção erétil, a maioria acaba se automedicando (70%) ou adiando ao máximo a consulta com o médico da área. O comportamento tem vários motivos: vergonha, tabu e a dificuldade no acesso a especialistas na rede pública de saúde.

Dos homens atendidos durante a campanha, metade foi incentivada pela mulher para buscar ajuda médica e a maioria só sentiu estimulado a fazer a consulta pela facilidade do acesso, visto que entre uma consulta com clínico geral no sistema público de saúde e o efetivo contato deste paciente com médico urologista demora em torno de 3 meses. Dos 493 campo-grandenses que procuraram o atendimento da caravana do Movimento pela Saúde do Homem, 219 deles queixaram-se de problemas de ereção.

Segundo o urologista Ari Miotto, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia regional Mato Grosso do Sul, outro fator que desestimula o paciente a buscar solução para seu problema sexual está relacionado ao não acesso dos medicamentos na rede pública, bem como o custo destes. “É evidente que hoje, devido à quebra de patentes, o valor do comprido é mais acessível em relação há dez anos. Mas, ainda assim, para aqueles que sobrevivem do salário mínimo, o investimento ainda é considerado supérfluo”, pondera o médico.

Causas
De acordo com o urologista Ari Miotto, a DE tem origem principalmente nos fatores psicogênicos, ou seja, pode ser desencadeada por ansiedade, depressão, preocupação com desempenho, medo (de falha, rejeição, gravidez), insegurança, estresse, baixa autoestima, problemas financeiros, sociais entre outros fatores conscientes e inconscientes. “Além disso, os problemas de ereção aumentam com a idade, especialmente pelo aparecimento de doenças sistêmicas como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, além de hábitos nocivos como tabagismo e sedentarismo”, explica o médico.

Tratamento
Os medicamentos usados para tratamento da disfunção erétil agem com o mesmo princípio: inibir a ação da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), uma enzima que é produzida naturalmente no escroto que tem como função impedir a ereção. Ela existe para que o homem não fique ereto o tempo todo, mas se algum fator cerebral ou orgânico interferir ela pode ser produzida em excesso, impedindo a ereção, mesmo que haja excitação.

Entendendo esse mecanismo é fácil entender o efeito das pílulas, pois elas têm a função de coibir a produção da PDE5, facilitando a ereção, a diferença entre elas está basicamente no seu tempo de ação. Mas, vale destacar que a ereção só vai existir se houver desejo, excitação, o efeito do medicamento não é mecânico, nem automático. Enquanto Viagra, Levitra e Pramil agem por 4 a 6 horas, o Cialis tem eficácia prolongada por 36 horas.

Mais saúde
De acordo com o urologista Ari Miotto, o objetivo da campanha da SBU foi de estimular aos homens a cuidarem de sua saúde, incentivando-os ao hábito de visitar o médico desde a infância até a maturidade. “O homem brasileiro deve ter no médico seu aliado e precisa entender que a falta de cuidado com a saúde irá gerar prejuízos grandes para ele próprio e também para sua família”, afirma o presidente da SBU/MS.

Estudo mostra que a disfunção erétil (DE) atinge em maior ou menor grau metade da população masculina no mundo, cerca de 25 milhões só no Brasil. O País ocupa o segundo lugar no ranking de venda de medicamentos inibidores da PDE5, perdendo apenas para os Estados Unidos, mas o potencial de crescimento do mercado consumidor é imenso – apenas 10% dos que sofrem de impotência tomaram a iniciativa de procurar tratamento.

Outras doenças que afetam a saúde do homem
Outras doenças masculinas merecem atenção e prevenção em todas as fases da vida, dentre elas a fimose e varicocele (na adolescência), as doenças relacionadas ao bom desempenho sexual e os cânceres de pênis e testículos (no adulto) e as doenças da próstata e tumores em geral do trato urinário (no idoso).

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que o homem inicie sua avaliação anual da próstata aos 40 anos caso tenha relato de doença prostática na família ou aos 45 anos se não existir o histórico familiar.

Outro problema que pode atingir o homem na maturidade é o Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), causado pela queda excessiva dos níveis de testosterona no organismo do homem. O distúrbio atinge cerca de 9% dos homens com mais de 40 anos e 33% dos homens com mais de 60 anos, e pode estar relacionado com: diminuição da libido, disfunção erétil (DE), cansaço, perda de memória, perda de massa muscular e óssea, desânimo, insônia, irritabilidade, fogachos, obesidade, entre outros sintomas.

Serviço
Em Campo Grande há três hospitais de referência para tratamento masculino: Santa Casa, Hospital Universitário e Hospital Regional, além do Centro de Especialidades Médicas. Além disso, todos os pacientes que consultam em postos de saúde com clínico-geral e precisam passar por especialista em urologia podem ser encaminhados à Casa de Saúde do Homem, que funciona no Bairro Nova Bahia. Na rede privada de saúde, o homem pode dirigir-se diretamente ao especialista. 

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