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Senad

Serra vê 'insensatez' de secretária antidrogas

18 MAI 2011Por Folhapress20h:30

O ex-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que durante a campanha eleitoral disse que o Brasil vivia uma epidemia de consumo de crack, criticou nesta quarta-feira em seu site a entrevista da titular da Senad, Paulina Duarte, à repórter Natuza Nery, da Folha.

Na entrevista, publicada na terça-feira, Paulina minimizou a extensão do consumo da droga e disse que falar em epidemia no país era uma "grande bobagem".

Ela se amparou, para dar a declaração, nos supostos resultados de uma ampla pesquisa sobre a droga, cujos dados ainda não foram divulgados.

Em seu post, Serra conclui que "o governo federal continua achando" que o problema das drogas no país "não é tão grave" e "seguirá fingindo que vai enfrentá-lo".

Ataca diretamente a entrevista da titular da Senad: "A dose de insensatez por centímetro de texto é das mais elevadas dos últimos tempos, o que não é pouco dizer".

"Entre outras coisas, ela se manifesta contra as clínicas de internação e tratamento de dependentes químicos (posição tradicional do PT), minimiza o impacto da cocaína e seus derivados na população brasileira, ameniza seus efeitos sobre a saúde das pessoas, e anuncia que o governo está investindo no patrulhamento das fronteiras por onde entra a droga. Maravilha", critica Serra.

A entrevista de Paulina foi recebida com irritação por setores do governo, para os quais as declarações da secretária podem ser vistas como uma relativização da gestão Dilma para o problema do crack e do oxi.

Isso porque, desde a campanha, Dilma fez do combate à droga uma de suas principais bandeiras. Neste ano, reafirmou que seu governo travará uma "luta sem quartel" contra a droga.

Embora nunca tenha usado o termo "epidemia", Dilma já chamou o crack de droga "fatal" e, logo no início do governo, demitiu o ex-assessor do Ministério da Justiça Pedro Abramovay justamente por ter defendido a descriminalização da maconha.

Segundo auxiliares, Dilma costuma ser ríspida com quem sugere que seu governo analise esse tipo de política. "Nesse assunto ela é radical: não quer nem ouvir falar", disse um ministro ao blog na tarde de terça.

A presidente e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cuja pasta também participou da elaboração da pesquisa sobre o crack, não se manifestaram sobre a entrevista de Paulina. Resta aguardar.

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