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Serra vai tentar convencer Nelsinho a não apoiar Dilma

28 ABR 10 - 19h:54

lidiane kober

 

O pré-candidato a presidente da República, José Serra (PSDB), vai conversar com o prefeito Nelsinho Trad (PMDB) para tentar convencê-lo a trocar o palanque da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) pelo seu nas eleições de outubro. Segundo o presidente regional do PSDB, deputado Reinaldo Azambuja, o encontro deverá acontecer na primeira quinzena do próximo mês, quando está prevista visita de Serra ao Estado "para formalizar a aliança com o PMDB" de Mato Grosso do Sul.

Por enquanto, o governador André Puccinelli (PMDB) não oficializou a coligação com os tucanos na sucessão presidencial, porém, a cúpula da legenda dá praticamente como certa a continuidade da parceria, por isso, promete empenho para conseguir atrair todo o PMDB ao palanque de Serra.

Nelsinho é o único peemedebista que vem defendendo abertamente o apoio a Dilma. Inclusive, recentemente, ele chegou a declarar que, na sua avaliação, "ninguém fez mais para o País do que o presidente Lula".

De olho nos votos dos campo-grandenses, os tucanos já tentaram convencer o prefeito a apoiar seu pré-candidato a presidente. A senadora Marisa Serrano (PSDB), que já foi vice de Nelsinho, tentou afastá-lo do palanque de Dilma, contudo, a conversa foi sem sucesso. "Não vamos desistir", reiterou Azambuja. "Vai ficar estranho para a população ver o PMDB dividido na eleição", explicou.

O deputado estadual Carlos Marun (PMDB) tem certeza de que o PMDB estará unido na sucessão presidencial. "O Nelsinho vai aonde o partido for", apostou. "Isso é como se fosse uma guerra, ou seja, o coronel vai aonde o general for", completou, reforçando a teoria de que o prefeito seguirá o rumo do governador.

Inclusive, anteontem, Puccinelli lançou claro recado de advertência a Nelsinho: "cateto fora do bando é comida de onça". Em síntese, a frase demonstra seu descontentamento diante do reiterado posicionamento do prefeito de que apoiará Dilma independentemente da posição do PMDB regional.

Sem crise

Diante do risco de ver o partido rachado na sucessão presidencial, Marun agiu como bombeiro para tentar apagar os focos de incêndio. Ele defendeu que, independentemente do rumo na eleição, o PMDB agirá de maneira coerente. "Temos motivos tanto para apoiar o PT quanto o PSDB", afirmou.

Conforme o parlamentar, a aliança com os tucanos daria continuidade ao "companheirismo histórico" entre as legendas em Mato Grosso do Sul. Já com os petistas a coerência reside no fato de o partido estar alinhado nacionalmente à candidatura de Dilma. "Portanto, nenhuma decisão poderá ser tachada de incoerente", reforçou.

No entanto, ao finalizar, Marun acabou evidenciado sua preferência pela aliança com o PSDB. "Não posso negar que companheirismo mexe com o coração e decisões difíceis, geralmente, a gente toma com o coração", encerrou.

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