quarta, 18 de julho de 2018

Serra incorpora jargão de Lula

27 DEZ 2009Por 12h:00
     

        Da redação

        Principal nome no PSDB para enfrentar a disputa eleitoral de 2010, o governador de São Paulo, José Serra, incorporou aos discursos o bordão "nunca na história deste País", usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que assumiu a Presidência em 2003.
        Em discursos mais recentes, o tucano recorreu à expressão para contextualizar os investimentos feitos pelo governo do Estado - e, de certa forma, marcar posição em relação ao governo federal. Em algumas vezes, deu o crédito da expressão a Lula. Em outras, disse que determinada ação era inédita, "como nunca na história", sem fazer referência ao jargão presidencial.
        Em outubro, em visita à região do ABC paulista, berço político de Lula, o tucano disse: "Tenho um relatório a respeito de tudo o que a gente está fazendo. E fico até atrapalhado, é tanta coisa. Posso garantir a vocês: nunca se fez tanto na região do ABC quanto neste governo, nunca se investiu tanto." Um mês depois, usou expressão similar para se referir a investimentos em transporte. "Nunca se investiu tanto no metrô", disse. "Nunca se investiu tão concentradamente, são mais de R$ 20 bilhões nesta área."
        No começo do mês, citou, indiretamente, Lula. "Como diria alguém, nunca antes na história do Estado se fez tanta Fatec. E estamos, inclusive, ultrapassando isso", disse Serra, em referência às faculdades técnicas, cujos investimentos costumam ser descritos como inéditos pelo tucano. "O governo Alckmin já tinha elevado de 9 para 26. Propusemos duplicar o número de faculdades de 26 para 52. Poderia dizer: nunca antes neste Estado se fez tanta faculdade de tecnologia. Ou, como diriam outros - esse não é o Lula, esse é um de São Paulo - desde o descobrimento até agora", disse, sem especificar a quem se referia.
        Para o professor de ciência política da FGV-SP, Marco Antonio Carvalho Teixeira, a alta popularidade de Lula impede que o discurso de Serra seja de crítica ao governo federal. "A partir disso, resta a ele mostrar o que está fazendo, se colocar como uma alternativa, sem polarizar ou mostrar um discurso de oposição. O que vai projetar Serra é mostrar o que ele tem feito no Estado."
        Com a desistência do governador de Minas, Aécio Neves, de disputar a Presidência, Serra é tido como o potencial candidato da oposição. Ele, no entanto, resiste a se colocar como candidato e diz que a prioridade é governar o Estado. Com base nesta avaliação, mantém boa relação com o governo e evita criticar publicamente Lula.
        Teixeira diz que Serra busca "se mostrar como parceiro e colocar o governo estadual na vitrine". "Ele fala de forma complicada para a média do público", diz o cientista político, para quem Lula tem discurso mais acessível à população.
        A primeira vez que a expressão "nunca na história deste País" aparece no discurso presidencial foi em abril de 2003. O petista comentava que o Brasil vivia um otimismo sem precedentes em razão da sua eleição. "O que estamos vendo no Brasil hoje? Estou com 57 anos de idade, faço política há 30, nunca vi, na história do Brasil, o otimismo que estamos vendo hoje." Na semana seguinte, usou o jargão, relacionando-o a atos de sua gestão. "Acredito que o meu ministro das Relações Exteriores, companheiro Celso Amorim, e outros embaixadores podem constatar que nunca, na história do Brasil, em tão pouco tempo, houve tantas reuniões de trabalho como essas que estamos fazendo." (informações do Estadão)

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