quinta, 19 de julho de 2018

Serra busca identificação com os pobres

10 ABR 2010Por 14h:26
     

        Da redação

        O discurso de formalização da pré-campanha de Serra, antecedido pelo de Aécio e um copo de Coca-cola sem gás, pontuou sua trajetória familiar e política. Serra falou da experiência do exílio e da capacidade que adquiriu para interpretar o Brasil. Evitando ataques nominais ao presidente Lula e à concorrente Dilma Rousseff, o ex-governador de São Paulo defendeu a "austeridade fiscal" e criticou a divisão do País ("ricos contra pobres").

        Um dos eixos do discurso foi a repulsa à partidarização do Estado.

        - Nunca pedimos carteirinha de filiação partidária para atender alguém.

        Em meio à apresentação de suas realizações, Serra tentou não ficar restrito a São Paulo, ao falar dos retirantes e de como aprendeu a fazer política na Bahia, em Minas Gerais, em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Não à toa, o palco principal foi rodeado por bandeiras de todos os estados da federação.

        Serra e o PSDB tentam se livrar de estigmas que os acompanham há anos, como o de ser um partido vinculado aos interesses dos ricos.

        - O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que não dispõem de uma "boquinha"... aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.

        Enfatizou a importância de Justiça e ética para todos ("nenhum brasileiro vai estar acima da lei"), a despeito dos escândalos do mensalão mineiro, que colocou o senador tucano Eduardo Azeredo no banco dos réus, e do mensalão do Democratas no Distrito Federal, com o governador cassado José Roberto Arruda e a cúpula distrital atrás das grades. Condenou as "falanges do ódio" dos adversários políticos e a inércia do presidente Lula e do governo petista em relação a presos políticos de consciência em Cuba.

        - Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.

        Além disso, em busca da identificação com a parcela majoritária da população, o pré-candidato demonstrou-se orgulhoso ao falar de seu pai, "modesto comerciante de frutas no mercado municipal", e traça paralelos de identificação com a classe trabalhadora: "Vejo meu pai em cada trabalhador", "vejo em cada criança na escola o menino que fui".

        Influência de Aécio
        O presidenciável José Serra incorporou uma estratégia eleitoral do ex-governador mineiro Aécio Neves. Numa crítica ao presidente Lula, Serra atacou a divisão do País:

        - De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres... Ninguém deve esperar que joguemos estados do Norte contra estados do Sul... Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um País. E é deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil. Não aceito o raciocínio do nós contra eles...

        Nos últimos meses, Aécio adotou um discurso idêntico, que coincide até mesmo nas expressões essenciais "nós contra eles" e "ricos contra pobres", como nesta entrevista a Terra Magazine, em 18 de janeiro de 2010:

        - ...Vamos fugir desse maniqueísmo ou, como eu disse, dessa posição autoritária de criar uma divisão no País que não interessa a absolutamente ninguém. ...Nós teremos que fugir da armadilha que, de forma autoritária, vem sendo preparada: ricos contra pobres, nós ou eles... (do Terra)

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