Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

HEMODIÁLISE

Sem vagas, Dourados exporta pacientes renais

27 ABR 2011Por Valéria Araújo/Dourados Agora13h:03

Dourados não tem mais vagas para tratamento de hemodiálise e começa “exportar” pacientes. O único serviço conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), a Clínica do Rim, recebe pacientes da macroregião que engloba quatro microregiões com 38 municípios. A estrutura física do local não comporta a demanda. De acordo com o diretor do Hospital Evangélico, Mauricio Peralta, hoje a Clínica do Rim dispõe de 27 máquinas de hemodiálise, que em três turnos consegue realizar 81 sessões diárias. Ao todo, são 178 pacientes fixos, atendidos diariamente, e outros 39 que fazem tratamento em casa. O contrato com a prefeitura prevê 1,6 mil atendimentos por mês. Segundo Maurício, em março, foram 2.205.

Por causa disso, pacientes estão sendo encaminhados para Ponta Porã que abriu 5 vagas na última semana. Apesar do atendimento alternativo o deslocamento vem trazendo preocupações para as famílias de Dourados. É o caso da aposentada Marta da Silva Paz, moradora na Vila Ilda. Ela procurou a redação de O PROGRESSO, para contar que o ex-marido, o aposentado Antônio Francisco de Matos, de 54 anos, não poderia ter sido encaminhado para o município vizinho devido a gravidade do quadro clínico dele. Ela cuida do paciente e chora ao lembrar que a doença no rim acabou evoluindo e atingindo outros órgãos como pulmão e coração, e que com a saúde debilitada ele não respondia aos movimentos musculares quando foi levado para Ponta Porã, pela prefeitura. “Ele estava entrevado e precisava de socorro imediato em Dourados. Devido a gravidade do quadro, a Saúde poderia ter contratado o serviço na rede particular ao invés de causar um deslocamento, uma viagem na qual o paciente poderia até morrer na estrada”, opina, dizendo que toda a família estava indo para Ponta Porã, saber como estava a saúde dele.

Um segundo caso chegou até o conhecimento do Conselho Municipal de Saúde. Um paciente de Fátima do Sul, que chegou em Dourados para atendimento, também foi encaminhado para a cidade vizinha. Segundo último levantamento do Conselho, este ano, cerca de 80 pacientes não conseguiram atendimento de hemodiálise em Dourados.

SAÚDE

A secretária de Saúde, Silvia Bosso, reconhece a falta de estrutura, mas diz que já está adiantada a negociação com a Secretaria de Estado, responsável por este tipo de prestação de serviço. Segundo Silvia, na próxima quinta-feira ela se reúne com a secretária Beatriz Dobashi. O objetivo é traçar uma estratégia para a ampliar o atendimento com a abertura de pelo menos 30 novas vagas. Segundo Silvia Bosso, o assunto está sendo tratado com urgência e que a expectativa é de que já nos próximos meses o problema de falta de vagas seja resolvido.

TRANSPLANTES

Outro grave problema registrado em Mato Grosso do Sul é a suspensão, pela segunda vez, dos transplantes de rins na Santa Casa, única unidade conveniada ao SUS para este tipo de procedimento. Enquanto as cirurgias não são realizadas, os órgãos captados são exportados para outros estados. A conseqüência disso é a morte de pacientes que aguardam por transplantes e estão na fila há anos. Em todo o Estado, 400 pacientes amargam a espera por transplante. Destes, cerca de 40 são de Dourados.

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