Sábado, 20 de Janeiro de 2018

Sem pressa

12 AGO 2010Por 07h:41
Lançada em setembro de 2007, ao custo de R$ 40 milhões, a obra do terminal intermodal de cargas de Campo Grande ficou paralisada durante longos meses porque o Tribunal de Contas da União descobriu irregularidades na licitação, principalmente no que se refere ao custo da obra, bancada pela União. Após a revisão dos custos, que recuaram consideravelmente, no final do ano passado os trabalhos foram retomados e a previsão é de que ainda  neste ano a obra esteja concluída, embora esta previsão não seja nenhuma garantia, pois em 2008 já falava-se exaustivamente que até o fim daquele ano tudo estaria pronto.
    Porém, ao que parece, não existe pressa para deixar o local em condições de uso, pois ninguém sabe ao certo a partir de quando realmente passará a ter utilidade, uma vez que até agora está praticamente no zero o processo para licitar a empresa que irá administar o terminal. A explicação oficial é de que a burocracia das licitações é muito grande e por isso não há previsão para sua ativação. Porém, faz três anos que começou a construção e, como tudo deve ser executado conforme consta no projeto inicial, nada impediria que as etapas burocráticas da licitação fossem realizadas concomitantemente ao andamento da obra. Ao que tudo indica, porém, o contorno ferroviário da Capital terá mais um "elefante branco", semelhante ao da estação ferroviária, que ficou abandonada ao longo de quase meia década e passou a ter utilidade somente há pouco mais de um ano, quando passou a ser utilizado duas vezes por semana, com os embarques e desembarques do Trem do Pantanal.
    No caso do terminal intermodal, é de se supor que não fique obsoleto por longo tempo, pois é inimaginável que autoridades municipais, estaduais e federais promovam investimento desta magnitude se não têm a certeza de que terá utilidade e necessidade. Isto, pelo menos, em tese. Conforme o discurso oficial, o investimento tem o objetivo de facilitar o processo de exportação e importação, pois empresários não mais precisarão se deslocar aos portos como o de Paranaguá ou  Santos para cuidar dos morosos processos de liberação de mercadorias e pagamento de impostos. Como este terminal funcionará na prática, só os idealizadores sabem, mas estão convictos de que haverá demanda e de que o investimento é necessário e pertinente.
    Contudo, se é assim, simplesmente não existe explicação para o fato de até agora não existir processo licitatório para contratação de uma empresa de logística para administar o local. Então, se o terminal realmente trará as vantagens que vêm sendo propaladas há anos, é de se esperar que até o fim das obras a parte burocrática para ativá-lo também esteja providenciada, pois, em tese, importadores e exportadores devem estar anciosos à espera das facilidades  que advirão do investimento.

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