quinta, 19 de julho de 2018

ESTRATÉGIA

“Sem-conta” fogem das tarifas bancárias

16 JAN 2011Por ADRIANA MOLINA00h:00

Não ter conta corrente, cartão de crédito, cheque especial e limite de crédito parece pouco provável no mundo tecnológico de hoje, onde a cédula de papel tem cada vez mais sido substituída pelo dinheiro de plástico (cartão) e pelas telas de computador – onde se pode comprar e pagar tudo apertando apenas uma tecla.

Guardar dinheiro debaixo do colchão virou coisa de um passado remoto, mas ainda há sim quem consiga viver – e bem – fora do cadastro bancário e desfrutando dos inúmeros serviços que essas instituições oferecem. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 31,2% da população do Centro-Oeste, onde está Mato Grosso do Sul, não tem conta-corrente; os "sem-banco" representam 39,5% dos brasileiros.

E engana-se quem pensa que o fato está associado à baixa renda ou desemprego. O perfil de quem não é adepto a produtos do tipo está mais associado ao planejamento orçamentário e economia – uma vez que esse tipo de pessoa geralmente coloca na ponta do lápis qual é o custo e benefício do que está comprando.

Exemplos de quem se deu bem na vida sem precisar de conta corrente, cheque especial, cartão de crédito, entre outros produtos financeiros não são raros. Marcus Vinícius Espíndola é um deles. Com apenas 21 anos, o jovem de Campo Grande, que tem um emprego fixo, um estágio e ainda dá aulas particulares de inglês, conseguiu em dois anos realizar o sonho que muitos não conseguem numa vida inteira: ter casa e carro próprios. "É totalmente possível viver sem conta bancária. Quando você coloca no papel, vê que essas pequenas taxas, juros cobrados pelos serviços do banco fazem diferença", diz o jovem.

Ele não poupou a vida toda, nem guardou num cofrinho o dinheiro de que precisava, mas fez um financiamento – único vínculo com banco que teve até hoje. Mas antes disso, planejou com cautela cada passo e, depois de encontrar a melhor taxa de juros e parcelas, fechou negócio. "Sem conta, você até encontra algumas dificuldades, como eu tive para financiar, em quem me pediram para comprovar renda com extrato de movimentação de conta corrente, mas no final sei que estou ganhando, ou melhor, deixando de perder dinheiro", afirma.

Para liberar os financiamentos, o banco chegou a sugerir que ele abrisse uma conta, mas Espíndola deixou claro que não era interessante e pediu alternativas. No final, conseguiu aprovação de crédito comprovando renda com holerites, declarações alternativas e está pagando as parcelas com boletos.

O jovem ainda deixa claro que a opção de não ser cliente de nenhum banco nada tem a ver com estar ou não evoluído tecnologicamente. Ele, inclusive, faz compras pela internet, mas ao invés de usar o cartão de crédito – opção da maioria - prefere imprimir o boleto bancário e pagá-lo em uma das raras vezes (cerca de duas por mês) em que pisa numa agência bancária.

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