Terça, 20 de Fevereiro de 2018

SUPERMERCADOS

Seca quebra safra e preço do feijão sobe até 127.9% na Capital

14 OUT 2010Por Carlos Henrique Braga01h:00



A quebra na produção em decorrência da seca na região Sul do País e em São Paulo causou aumento de 53,8% a 127,9% no preço do quilo do feijão carioquinha ao consumidor de Campo Grande, neste ano. Cerealistas já estão pagando 277% mais caro pela saca de 60 quilos ao produtor entre janeiro e outubro deste ano, que saltou de R$ 45 para R$ 170.
Todas as marcas pesquisadas pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas da Universidade Anhanguera-Uniderp tiveram alta. O quilo do feijão carioquinha, vendido a R$ 3,92, mas que já tem marcas a R$ 4,05, está 127% mais caro do que no início do ano, quando custava R$ 1,72.
A produção de Mato Grosso do Sul, insuficiente para atender à demanda interna, deve encolher 22,6% entre as safras 2009/10 e 2010/11 (de 27,8 mil toneladas para 21,5 mil toneladas, na 2ª safra).
Segundo o dono da Cerealista Centro-Oeste, Idalino Gabriel Ciconini, o Estado não tem feijão desde agosto, quando os preços começaram a subir. Fora também ficou difícil comprar. A empresa de Campo Grande, que empacota a marca Paquito, não teve outra alternativa a não ser repassar o preço aos supermercados.
Ele prevê queda a partir do próximo mês, com o início do plantio na região Sul do País. “O Paraná, que é o principal produtor, já está plantando, logo vamos ter preços mais baixos”, prevê o empresário. O plantio em MS também é esperado para depois das chuvas, ainda em outubro.

Oferta
O feijão oscila nos preços entre suas três safras anuais. No Estado, os valores são mais em conta durante a 2ª safra, entre junho e agosto. O carioquinha, tipo preferido por aqui, não pode ser armazenado porque perderia o valor nutricional e ficaria escuro. De acordo com o engenheiro agrônomo da Embrapa Arroz e Feijão, de Goiânia (GO), Augusto César Gonzaga, o grão não é commodity (mercadoria negociada em bolsa de valores) e atende apenas à demanda do País. “A oferta é quase compatível com a demanda”, ressalta Gonzaga.
O comércio externo é insignificante. Dos 3,6 milhões de toneladas produzidas no Brasi, em 2006, apenas 6 mil toneladas foram vendidas a outros países, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O maior produtor é o Paraná, que plantou 321,6 mil hectares na 1ª safra de 2009/10. No mesmo período, a Bahia tinha 273,7 mil hectares plantados com o grão e o Piauí, 206,2 mil hectares.  Minas Gerais e São Paulo lideram no Sudeste, com 189,4 mil e 116,7 mil hectares , respectivamente. Já o Rio Grande do Sul plantou 80,1 mil hectares na mesma safra.

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