Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

estiagem

Seca causa prejuízos na região norte de MS

15 JAN 2011Por Carlos Henrique Braga00h:00

A chuva veio aos poucos, desde dezembro, mas a baixa precipitação não poupou produtores rurais do norte do Estado de prejuízos de um ano seco, enquanto moradores da Capital e outros estados sofrem com o excesso de água. A pior estiagem desde 2004 prejudicou o plantio de soja e dizimou pastos, obrigando produtores rurais a chegar às últimas consequências, como vender os animais para fazer caixa para reformar as pastagens. O custo da recuperação pode chegar a R$ 3 milhões só para um deles.

Sonora, na divisa com Mato Grosso, teve de replantar 5% da soja que não se desenvolveu, segundo o engenheiro agrônomo Genilson Zanini, e deve colhê-la com atraso. "Um dia chove, no outro não, e assim vai", conta o diretor-secretário do Sindicato Rural de Sonora, Weber de Andrade Oliveira. O custo milionário citado no início deste texto é dele. Para não se assustar, o produtor só calculou o estrago por cima: "A pastagem nativa acabou tudo. São mil reais para recompor um hectare de pasto, eu tenho 3 mil hectares, faça as contas", diz.

"Fazendas de cinco a oito mil hectares tiveram o pasto dizimado. Acho que o mais certo era decretar estado de calamidade e tentar financiamento no banco para arrumar o pasto", defende o diretor. As pragas que se disseminam em meio ao capim braquiária ganham força na seca e tornam a situação ainda mais complicada.
O sindicato não fez o levantamento das perdas na lavoura de soja, mas pode estender-se a boa parte dos 55 mil hectares do município. Segundo o engenheiro agrônomo Zanini, um grande produtor da oleaginosa, dono de 6 mil hectares, teve de replantar 15% da área (900 hectares) para não comprometer o resultado final. Em 2009, Sonora colheu 154 mil toneladas do grão, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 Pedro Gomes
Na vizinha Pedro Gomes, a seca afetou o leite e as pastagens com mais força, segundo o escritório da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer). O gado leiteiro perdeu peso com a comida de baixa qualidade, o que pôde ser sentido no produto, que também perde qualidade e quantidade, e no bolso do pecuarista.

Cláudio Alves de Souza decidiu vender os 100 animais para investir o dinheiro na reforma de 20 hectares que secaram. Parece pouco, mas o custo médio será de R$ 20 mil. No segundo semestre do ano passado, durante a estiagem, seis vacas morreram com a falta de água e de capim. "Não teve jeito", lamenta.

A cidade de Souza viu só 961 milímetros (mm) de chuva no ano passado inteiro – a média é 1.400 mm. Entre 19 de maio e 1º de outubro de 2010, não caiu uma gota na região Norte, que amargou mais de 100 dias de estiagem ininterruptos. Do dia 2 de outubro ao fim do ano, caíram menos de 300 mm de água.

No mapa do Agritempo, do Ministério da Agricultura, o Norte de MS esteve avermelhado, cor que alerta sobre índice pluviométrico alarmante, durante seis meses. Porém, o tempo parece mais favorável. Chove desde o início de 2011 nas cidades, embora não tanto quanto os moradores gostariam. Foram registrados 126 mm até anteontem, de acordo com a Agraer.

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