quarta, 18 de julho de 2018

BIODIVESIDADE

Sapos desaparecidos são reencontrados no Haiti

25 JAN 2011Por CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL07h:10

Um ano depois do terrível terremoto que devastou o Haiti, cientistas da Conservação Internacional (CI) e do Grupo Especialista em Anfíbios da IUCN (União para a Conservação da Natureza, da sigla em inglês) anunciam a redescoberta de seis espécies de sapos endêmicos das florestas daquele país. Esses animais não eram observados há já duas décadas. 

A redescoberta foi feita depois de uma expedição às montanhas remotas no sudoeste do Haiti, em outubro passado, como parte do programa “Em busca de sapos perdidos”, lançado mundialmente pela Conservação Internacional em agosto de 2010. O time de pesquisadores, liderado pelo especialista em anfíbios da CI, Robin Moore, em parceria com o professor Blair Hedges, da Universidade do Estado da Pensilvânia, tinha por objetivo procurar a espécie E. glanduliferoides, conhecida como sapo La Selle Grass, que não era visto há mais de 25 anos. 

A expedição também fez uma avaliação da situação de outras 48 espécies nativas de anfíbios do Haiti. A maioria delas tem por hábitat as florestas das montanhas do sudoeste e sudeste do país, que vêm diminuindo a um ritmo acelerado devido ao desmatamento. 

Apesar de não ter encontrado o sapo La Selle, a expedição encontrou seis outras espécies que não eram observadas há 20 anos, entre elas um sapo assobiador, cujo nome homenageia o compositor Mozart; um sapo escavador com enormes olhos negros e marcações de um laranja vivo nas patas traseiras; um sapo ventríloquo bastante arisco, que tem a habilidade de usar sua voz para confundir potenciais predadores; e um sapo malhado terrestre que tem olhos de cor safira, uma tonalidade muito rara.

“Foi inacreditável”, afirmou Moore. “Estávamos procurando uma espécie perdida e acabamos encontrando um verdadeiro tesouro de outras espécies. Isso representa uma boa dose de esperança para as pessoas e a vida silvestre do Haiti”.

Com o desmatamento em larga escala, que deixou apenas 2% da cobertura florestal original do país intacta, e a poluição e degradação dos cursos de água da qual dependem os ecossistemas haitianos, as florestas úmidas das montanhas do sudoeste são os poucos remanescentes bem preservados de um ambiente saudável e natural no Haiti. O Maciço de la Hotte, uma dessas montanhas, foi apontado pela Aliança para a Extinção Zero como o terceiro sítio prioritário para a conservação no mundo, com cerca de 15 espécies endêmicas de anfíbios (que só são encontrados nessas montanhas e em mais nenhum lugar).

Entretanto, o professor Hedges lembra que não podemos mais perder tempo. Como em outras partes do mundo, as populações de anfíbios do Haiti estão em perigo de extinção, com a assustadora taxa de 92% de todas as suas espécies ameaçadas de desaparecer. No mundo, mais de 30% de todas as espécies de anfíbios estão em risco de extinção. 

“A biodiversidade do Haiti, incluindo os anfíbios e sapos, está sofrendo uma extinção em massa por causa do desmatamento que vem ocorrendo nos ecossistemas do país. A menos que a comunidade global se una para encontrar uma solução, logo teremos perdido inúmeras espécies únicas, que só existem ali”, afirma Hedges.

Moore, Hedges e seus colegas passaram oito dias e noites nas florestas das montanhas do sul do Haiti, esquadrinhando árvores, leito de rios e o solo na busca por anfíbios. Nesse período o time encontrou 23 das 49 espécies nativas do país. Moore fez três expedições pelo país, antes e depois do terremoto. Entre as espécies de anfíbios redescobertas pela expedição, seis estão na lista de espécies ameaçadas, sob a categoria ‘criticamente em perigo’.

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